Autoridades do RJ exigem retirada de porta-aviões nuclear americano

Brasília, 25 abr (EFE).- As autoridades do Rio de Janeiro exigiram hoje ao Governo brasileiro que ordene a retirada imediata de um porta-aviões americano das águas territoriais do país, onde se encontra para participar de algumas manobras.

EFE |

O porta-aviões "George Washington" está ancorado na Baía de Guanabara para participar de exercícios militares com as Forças Armadas do Brasil e da Argentina.

Em uma nota enviada ao Ministério das Relações Exteriores, o secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, afirmou que a presença do porta-aviões em águas brasileiras "viola a Constituição nacional", que proíbe expressamente o uso de energia nuclear com fins militares.

Minc explicou que, nestes dias, consultou os responsáveis da embarcação sobre o tipo de armas que levavam e que a única explicação recebida foi a de que "não podiam responder" por razões de segurança.

Segundo o secretário, antes haviam informado que a embarcação transporta "bombas, torpedos e mísseis nucleares".

O consulado americano no Rio de Janeiro divulgou uma nota na qual afirmou que o porta-aviões não significa nenhum risco, mas não fez referência ao armamento.

"Navios norte-americanos movidos com energia nuclear operaram com segurança durante mais de 50 anos, sem acidentes em reatores nem perdas de radioatividade", acrescentou o comunicado.

Assinalou que "estes navios têm um histórico excelente de mais de 138 milhões de milhas náuticas navegadas com energia nuclear, o que equivale a 5.000 voltas ao mundo, e são bem-vindos em mais de 150 portos de 50 países e territórios de todo o mundo".

Sua tripulação habitual conta com 6.300 pessoas e pode servir de base de operações para 80 aviões de combate.

A embarcação participou de diversas missões no Mediterrâneo e no Golfo Pérsico, e inclusive fez parte da força deslocada pelos Estados Unidos durante a primeira Guerra do Iraque, em 1990.

As manobras, das quais a embarcação participará, deveriam ter começado na quarta-feira passada, mas estão temporariamente suspensas devido ao clima no litoral do Rio de Janeiro nos últimos dias.

Estes exercícios corresponderão à 49ª edição da Operação Unitas, manobras que os Estados Unidos desenvolvem com diversos países latino-americanos desde 1959.

As manobras estavam definidas no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), que ficou em xeque em 1982, quando os EUA apoiaram decididamente o Reino Unido na guerra com a Argentina pelas ilhas Malvinas.

Com os anos, países latino-americanos que tradicionalmente tinham participado das manobras foram se retirando, como foi o caso de Chile, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela e Uruguai, o último a desistir, em 2006, quando considerou estes exercícios "vencidos".

EFE ed/fb

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