Autoridades divergem sobre número de mortos na Nigéria

Lagos, 1 dez (EFE).- As autoridades do estado nigeriano do Planalto Central Norte, onde está a cidade de Jos, discordam sobre o número de mortos nos distúrbios político-religiosos dos últimos dias e, enquanto uns assinalam que podem ser muitas centenas, outros os limitam a 200.

EFE |

Em declarações à imprensa local, Samaila Mohammed, representante na Câmara Baixa do Parlamento (correspondentes aos deputados) nigeriano desse estado, disse que 376 vítimas da violência foram enterradas em uma vala comum, após recolher seus corpos na Mesquita Central da cidade, mas, acrescentou que "teme-se que haja muitos mais".

No entanto, o porta-voz do Governo do estado do Planalto Central Norte, Nuhu Gagara, afirmou que os números de mortos divulgado "é exagerado" e que o total é de "cerca de 200".

A Polícia afirmou que com o toque de recolher noturno, o aumento dos agentes e militares na cidade e a vigilância permanente, a calma vai voltando à localidade, onde 1.500 pessoas foram detidas, "incluindo mercenários de estados vizinhos".

Entre 4 mil e 7 mil pessoas, segundo distintas fontes locais, foram obrigadas a abandonar seus lares rumo a outras regiões para evitar a violência.

O Sultão de Sokoto, principal líder espiritual islâmico nigeriano, disse em comunicado que "muçulmanos e cristãos do país devem manter a paz e evitar atos de violência, em interesse da estabilidade, da ordem e do desenvolvimento da nação".

O líder da Igreja Metodista da Nigéria, Sunday Onda Makinde, pediu ao Governo medidas para evitar situações como a ocorrida em Jos, nas quais considera que os políticos utilizaram diferenças religiosas para promover a violência, "pela qual muitos inocentes perderam a vida e muitos templos de oração foram queimados".

Ele pediu que os responsáveis sejam levados à Justiça e lembra que não é a primeira vez que fatos semelhantes ocorrem em Jos, onde houve distúrbios religiosos com centenas de mortos entre 2001 e 2004, o que levou o então presidente, Olusegun Obasanjo, a declarar estado de emergência.

Os distúrbios começaram na sexta-feira, pelo atraso no anúncio dos resultados de eleições locais realizadas na véspera, informaram as autoridades.

Os primeiros a se rebelar foram os seguidores do grupo opositor Partido de Todos os Povos da Nigéria (ANPP), ao suspeitar de fraude para que seu candidato perdesse as eleições à Presidência do conselho local de Jos Norte contra o adversário, do governante Partido Democrático Popular (PDP).

Grupos de jovens, com garrotes e facões atacaram a região de Jos Norte, área comercial da cidade, e destruíram diversos estabelecimentos comerciais e prédios públicos, obrigando numerosos moradores a se refugiar na delegacia de Polícia. EFE dá/jp

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