Autoridades de Nova Jersey não querem receber Kadafi

Por Claudia Parsons NOVA YORK (Reuters) - A possibilidade de o presidente líbio, Muammar Kadafi, montar sua tenda na cidade de Englewood, em Nova Jersey, para participar da Assembleia Geral da ONU no mês que vem, revoltou as autoridades locais nesta segunda-feira.

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Michael Wildes, prefeito de Englewood, disse que seria ofensivo Kadafi sequer receber um visto de entrada no EUA depois que Abdel Basset al-Megrahi, julgado pelo atentado de Lockerbie, teve "a recepção de um herói" em seu retorno à Líbia na semana passada.

Megrahi foi libertado após ser condenado à prisão perpétua na Escócia, sob a alegação de que merece compaixão por estar morrendo de câncer.

Uma autoridade da missão líbia na ONU confirmou que Kadafi planeja comparecer à Assembleia Geral em Nova York e disse não haver informações sobre onde ele se hospedará. Kadafi deve falar à Assembleia no dia 23 de setembro.

Já o prefeito Wildes disse que a embaixada da Líbia possui uma propriedade de 1,6 hectare em Englewood próxima de uma escola judia e um rabinato.

Parentes das vítimas americanas do atentado condenaram com veemência o governo escocês por sua decisão de libertar Megrahi, de 57 anos, o único condenado pela explosão de um jato da extinta Pan Am sobre a cidade de Lockerbie em 1988 que matou 270 pessoas.

Pária internacional por muitos anos, Kadafi melhorou suas relações com o ocidente depois de abandonar o programa nuclear do país e aceitar responsabilidade pelo atentado de Lockerbie.

O líder da Líbia, país rico em petróleo e membro da Opep, é conhecido por montar uma imensa tenda beduína em suas viagens ao exterior.

Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse que Washington discute com autoridades da ONU e de Nova York como cumprir suas obrigações com o chefe de Estado em visita.

Indagado se seria apropriado Kadafi ficar na área onde algumas das famílias das vítimas vivem, Kelly disse: "Encorajo qualquer líder estrangeiro a ser sensível com as preocupações das vítimas do mais horrível atentado antes do 11 de setembro envolvendo cidadãos americanos".

A Assembleia Geral da ONU com frequência é palco de críticos da ONU, que tem pouca escolha a não ser permitir o comparecimento dos chefes de Estado. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o ex-líder cubano Fidel Castro foram alguns dos que revoltaram os americanos nesse palanque.

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