LAquila (Itália), 6 abr (EFE).- Cerca de 100 mil pessoas de Abruzzo se preparam para passar sua noite mais longa, entre movimentos telúricos, o frio reinante e a umidade derivada da chuva persistente que atingiu a região durante toda a tarde e noite.

Os membros da Defesa Civil e dos Carabineiros (Polícia militarizada) já assumiram o controle da situação na cidade de L'Aquila, na qual longas filas de evacuados aguardavam sob o guarda-chuvas ou capas o teto prometido.

As crianças, idosos e feridos tiveram prioridade na hora de conseguir alojamento em uma das 50 tendas instaladas no campo de atletismo da cidade, situada 85 quilômetros ao nordeste de Roma, de 70 mil habitantes e conhecida por seus rigorosos invernos.

No meio da noite, todos os presentes, alguns ainda de pijama, receberam um colchão, um lençol, uma coberta e um travesseiro, enquanto os geradores elétricos levam luz ao campo de refugiados.

"Estou há 20 horas sem dormir", conta uma jovem, Flavia Cenci, que aguarda ajuda ao lado de seu namorado após serem bruscamente acordados pelo terremoto que atingiu a região de Abruzzo às 3h30 de segunda (22h30 de domingo, pelo horário de Brasília).

O terremoto, de uma magnitude de 5,8 graus na escala Richter, deixou pelo menos 150 mortos, 1.500 feridos e 10 mil deslocados.

No entanto, L'Aquila está acostumada com terremotos, outros movimentos sísmicos já derrubaram igrejas e praças primitivas, com exceção da Fontana delle 99 Cannelle e do sino do Prefeitura, que soa todas as tardes 99 vezes.

E, mais uma vez, L'Aquila se transformou hoje em uma cidade fantasma, os prédios derrubados e as janelas dos que permaneceram de pé fechadas, enquanto as ruas só são transitadas por jornalistas e por membros da Defesa Civil e dos bombeiros que trabalham na remoção de escombros.

As palavras do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, para que os habitantes da região saiam de casa se o terremoto tiver réplica, fez vários habitantes que temiam passar a noite no carro tomarem uma decisão.

A situação é, no entanto, mais trágica em localidades pequenas como Onna, Paganica e outros pequenos povos da região atingidos pelo tremor e onde explodiu a polêmica pela demora na instalação dos acampamentos.

Em Onna, de 250 habitantes, a maioria dos cidadãos dorme dentro dos carros e outros no campo esportivo, da mesma forma que em Paganica, com 4.500 moradores, onde a Associação Nacional de Alpinistas ofereceu uma refeição para quase 1.500 pessoas.

Enquanto isso, as pessoas esperam a chegada, nesta terça, dos 1.200 bombeiros e mil soldados prometidos por Berlusconi, com medo de o terremoto ter réplica.

Isso porque, às 23h57 (18h57 de Brasília), houve um pequeno sismo de magnitude 3,8 graus na escala Richter com epicentro em L'Aquila, Pizzoli, Barreto e Scoppitto.

Para os moradores de Abruzzo, os guias de viagem dizem que "em poucas regiões se encontrará tanta solidão", é um prognóstico sombrio. EFE ebp/db

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