Rio de Janeiro, 9 jul (EFE).- O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse hoje que devem começar em agosto os trabalhos de escavação no Araguaia para localizar corpos de guerrilheiros e militares mortos durante a Guerrilha (1972-1975).

Em audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que os trabalhos na região, que abrange cidades do sudeste do Pará, sul do Maranhão e norte de Tocantins, irão até novembro.

"A partir de então serão realizadas avaliações em laboratório do que tiver sido achado, para determinar se os trabalhos prosseguem ou não", comentou.

"Mas esses prazos são elásticos, principalmente os relativos aos trabalhos de campo. Por enquanto, a única coisa definida é a data de início", completou Jobim.

O ministro esclareceu que os militares que viajaram esta semana à região do Araguaia realizam apenas o reconhecimento das áreas onde poderão ser feitas as escavações.

Jobim afirmou que o Governo criou o grupo de trabalho com base em uma sentença judicial de 2003, que obriga o Estado, a pedido dos familiares dos desaparecidos, a localizar as ossadas.

O grupo inclui representantes dos ministérios de Defesa, Justiça, Ciência e Tecnologia, instituições do Pará e do Distrito Federal, técnicos e observadores independentes.

O ministro explicou que os trabalhos serão coordenados pelo Exército, situação questionada pelos parentes por ser o único a fornecer a base logística ao trabalho dos participantes.

Jobim disse ainda que, para atender à preocupação das famílias, que teme que o Exército não se empenhe nos trabalhos, o Ministério da Defesa estuda criar um comitê institucional, em associação com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

Nelson Jobim disse ainda que militares se mostraram dispostos a contribuir com informações - entre eles o major reformado Sebastião Curió, que fez parte da repressão à guerrilha.

No mês passado, Curió disse saber o local onde foram enterrados 41 guerrilheiros executados após a detenção.

Jobim assegurou que Curió pode ser interrogado por membros do Exército. "O depoimento perante o ministro da Defesa não tem as mesmas características que um em juízo", afirmou, acrescentando que, com sua colaboração, o militar não se incriminaria. EFE.

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