Autoridades chinesas intensificam resgate de soterrados em Beichuan

Antonio Broto Beichuan (China), 15 mai (EFE) - A cidade de Beichuan, de 160 mil habitantes, é agora uma imensa montanha de escombros, na qual a terra treme ainda a cada minuto e onde milhares de soterrados têm, segundo os médicos militares, as últimas horas de esperança para escaparem com vida da tragédia que afetou a China. Hoje é o dia crucial. O ferido que não for resgatado hoje não sobreviverá, afirma, com pessimismo, o médico Wei, um dos centenas de militares que trabalham na cidade.

EFE |

Beichuan, cerca de 50 quilômetros do epicentro do terremoto que na segunda-feira atingiu o sudoeste da China, é provavelmente a cidade com mais mortos, já que era a maior localidade na região mais castigada pelos tremores.

Os helicópteros sobrevoam a cidade, levando ajuda e evacuando os feridos, porque, entre a desolação, ainda há esperança: em duas horas é possível ver os soldados carregando, em maca, seis ou sete sobreviventes, descalços e com os olhos vendados. Muito feridos, mas vivos após três dias debaixo dos destroços.

Mas as macas com feridos se intercalam, de vez em quando, com corpos envoltos em plástico. Teme-se que entre 10 mil e 20 mil estejam soterradas ainda, segundo Wei, e as esperanças para muitos são poucas.

As ruas de Beichuan já não existem, a estrada de entrada à cidade ficou sob a terra, levando consigo vários carros que ainda continuam incrustados no asfalto, e as poucas casas que ainda estão de pé -uma muito pequena minoria- estão inclinadas em diversos ângulos, criando uma imagem dantesca.

Nas poucas ruas às quais é possível entrar, entre cartazes dos Jogos Olímpicos de Pequim e frases comunistas do tipo "os funcionários devem melhorar sua incumbência", a sensação é de um silêncio opressor, que parece indicar que poucos dos soterrados ainda estão vivos.

"Meus avôs estão ali. Vim para tentar tirar escombros com minhas mãos, pois o Exército só está trabalhando nas ruínas nas quais há alguém gritando. Também estou chamando meus avôs aos gritos, mas não me respondem", contou à Agência Efe Hu Xianlong, uma das pessoas que sobreviveu à imensa destruição de Beichuan.

Hu saiu sozinho das ruínas de sua casa, e salvou também seu filho. Agora ambos se encontram refugiados, como muitos outros sobreviventes de Beichuan e outras zonas afetadas, na vizinha cidade de Mianyang, que não foi tão atingida pelo terremoto.

No restante de Beichuan trabalham principalmente os soldados do Exército Popular de Libertação, mas também se vêem muitos voluntários, entre eles um grupo de americanos e canadenses que moram em Chengdu (a capital da província) e decidiram ajudar às vítimas.

Um deles aponta um volume de roupa entre as ruínas: "Ainda há alguém aí", ressalta, mas falta conseguir que guindastes e escavadeiras cheguem à zona para separar as massas de concreto e vigas.

"Ainda não nos deixam. A estrada está impossível", reconhece o motorista de um guindaste pertencente a uma empresa de Hunan (mil quilômetros ao leste) que decidiu enviar sua maquinaria para ajudar.

Percorrer os 70 quilômetros entre Mianyang e Beichuan -às vezes andando, pois a estrada está cheia de grandes rochas e fendida por muitas partes- é entrar progressivamente em uma terra mais e mais destruída, na qual centenas de pessoas decidiram ajudar como voluntários, enquanto outros vão buscar seus parentes.

"O Governo disse na televisão que todos os que puderem vão ajudar", afirmou.

"Vou fazer o que me pedirem, minha vida não é importante, mas sim salvar a de outras pessoas", assegura Chen Taihua, entre a fileira de centenas de voluntários e parentes angustiados que percorre a pé os impraticáveis últimos quilômetros de acesso a Beichuan.

A seu lado, Niu Yu, um jovem de Beichuan que emigrou à cidade de Chongqing, voltou, após dois dias de viagem, para tentar encontrar seu pai, mas reconhece que suas esperanças são poucas.

Niu ressalta que onde estava sua casa agora há um grande buraco, e que o que realmente acabou com sua cidade não foi o terremoto de 12 de maio, mas a forte réplica que aconteceu poucas horas depois, na madrugada de terça-feira, 13.

Em direção contrária a voluntários e parentes de desaparecidos se intercalam pequenos grupos de homens e mulheres famintos e desesperados por água e comida.

São comunidades que vivem nas montanhas, cujos povos também foram arrasados, e que estão há dois ou três dias cruzando a montanha para buscar ajuda.

"Deixamos ali meu marido, que cuida do dinheiro porque tememos os ladrões", disse uma mulher de 50 anos de uma destas comunidades, que vivia no agora desaparecido povoado de Moyipi.

Os soldados lhes oferecem um pouco de água e macarrões instantâneos, que os refugiados comem diretamente do pote, sem adicionar a água fervida.

Sobreviveram e, ao fim, chegaram a uma zona com equipes de resgate, mas ainda falta convencê-los a ir a seu povoado ajudar e reconstruir tudo o que perderam. EFE abc/db

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