Urumqi (China), 7 jul (EFE).- As autoridades da cidade de Urumqi, no noroeste da China e cenário de três dias de violência entre chineses da etnia majoritária han e uigures muçulmanos, declararam o toque de recolher, em uma tentativa de conter a escalada de violência.

O secretário do Partido Comunista da China (PCCh) na região de Xinjiang, Wang Lequan, informou, em discurso televisionado, que proibirá os cidadãos de sair às ruas das 21h de hoje (10h de Brasília) até as 8h de amanhã (22h de Brasília de hoje), "para evitar um aumento do caos".

Wang também pediu "o fim do confronto" entre grupos étnicos da região, após sangrentos incidentes que deixaram pelo menos 156 mortos, mais de mil feridos e 1,434 mil detidos na capital regional, Urumqi.

"O confronto étnico deve ser proibido definitivamente", disse o líder comunista.

Hoje, grupos de chineses da etnia han, armados com garrotes e cassetetes elétricos, marcharam pelas ruas com o objetivo declarado de "linchar" uigures, perante a passividade da Polícia, e há informações sobre vários feridos e agressões em diversos pontos da cidade.

Os uigures "não se atrevem a sair de casa", disseram à Agência Efe habitantes da cidade, cujas ruas estão semidesertas, exceto pela presença de paramilitares e "patrulhas cidadãs" de chineses han em bancos e estabelecimentos.

O secretário do PCCh regional reconheceu atos de vingança contra os uigures e disse que "alguns chineses tomaram as ruas e causaram desordens públicas, algo totalmente desnecessário".

Testemunhas confirmaram à Efe que houve vários enfrentamentos entre a Polícia e a multidão, em um dos quais os agentes utilizaram gás lacrimogêneo. EFE mz-abc/an

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