Autoridades austríacas estudam mudar sobrenome de família Fritzl

Amstetten (Áustria), 29 abr (EFE).- As autoridades austríacas estudam a possibilidade de mudar o sobrenome da família Fritzl para proteger seus membros diante da gravidade do caso de incesto e estupro de uma das filhas por parte do próprio pai.

EFE |

Assim disse Hans Lenze, responsável pela administração regional do município de Amstetten, onde no domingo foi descoberto que o engenheiro aposentado Josef Fritzl, de 73 anos, havia mantido uma de suas filhas em cativeiro durante 24 anos e abusado sexualmente dela.

"O nome da família ficou sujo de tal forma que estudamos mudar o sobrenome (dos envolvidos)", declarou Lenze hoje à imprensa diante da casa na qual aconteceu o martírio de Elisabeth Fritzl, atualmente com 42 anos.

"Além disso, temos que restabelecer os direitos cidadãos dos três filhos (do pai com a filha) mantidos em cativeiro, que até agora não tinham sido registrados", afirmou o funcionário austríaco.

Segundo ele, as autoridades estudam como educar os filhos que são fruto de estupro e incesto, embora isto não possa ser feito em escolas, mas com professores particulares.

"É impossível imaginar estas crianças freqüentando uma escola", disse Lenze, e acrescentou que primeiro os especialistas deverão determinar o nível educacional dos três filhos-netos que viveram fechados no calabouço de Amstetten até o último sábado.

Trata-se de um menino de cinco anos, de seu irmão de 18 e de sua irmã de 19 e que está no hospital de Amstetten em estado grave, supostamente por causa de uma doença congênita, embora esta informação não tenha sido confirmada oficialmente.

Os outros três filhos-netos vivos de Josef Fritzl estavam reunidos com o restante da família e, segundo Lenze, até agora o ambiente entre todos é bom.

"Quem está pior é a mãe (a mulher de Josef Fritzl)", declarou o funcionário, que acrescentou: "Imaginem, passou toda uma vida com o marido, teve sete filhos com ele e agora se depara com um homem que cometeu estes terríveis crimes".

Todos os envolvidos estão sendo atendidos por equipes de psicólogos e assistentes sociais. Os médicos deverão determinar quando poderão ser interrogados pela Polícia, declarou Lenze.

Na última terça, Josef Fritzl confessou ter enclausurado e abusado sexualmente da própria filha a partir dos 18 anos de idade em um cativeiro subterrâneo debaixo de sua casa, além de ter tido sete filhos com ela.

O acusado foi enviado na última segunda para as instalações da procuradoria do estado federado de Baixa Áustria em Sankt Pölten, onde deverá depor hoje diante de um juiz.

O fato causou grande repercussão na mídia, com a vinda de centenas de jornalistas de todo o mundo para Amstetten, uma cidade de 23 mil habitantes ao oeste de Viena, e acontece apenas dois anos depois do caso de Natascha Kampusch, outra jovem austríaca mantida em cativeiro durante oito anos em um porão próximo de Viena.

Perguntado hoje sobre os possíveis danos à imagem da Áustria causados por estes fatos, Lenze afirmou que o país "continuará a existir" apesar do caso e apesar de reconhecer que se trata de um incidente "único no mundo". EFE jk/ev/fal

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