Autoridades ainda buscam desaparecidos de naufrágio nas Filipinas

Centenas de pessoas ainda estão desaparecidas depois que uma balsa com mais de 800 pessoas a bordo virou na costa das Filipinas no sábado em meio às tempestades provocadas pelo tufão Fengshen

BBC Brasil |

De acordo com as autoridades, até agora apenas 32 sobreviventes foram localizados - 28 deles, a maioria homens, conseguiram nadar até uma cidade costeira.

Quatro corpos foram encontrados por moradores da ilha de Sibuyan, que também relataram ter encontrado sapatos de crianças e coletes salva-vidas trazidos pelo mar.

Reuters
Embarcação ainda pode ser vista no mar
 A balsa Princesa das Estrelas deixou Manila na sexta-feira com destino a Cebu, no sul do país e, de acordo com a empresa que a administra, controladores perderam contato com a embarcação por volta das 13h de sábado (horário local, 7h30 de Brasília).

Lutando contra as fortes tempestades e altas ondas, um navio de resgate só conseguiu chegar ao local onde o acidente ocorreu cerca de 24 horas depois.

Guardas costeiros fizeram buscas em volta do casco do barco, mas não encontraram sobreviventes.

Explicações

Nesta segunda-feira, mergulhadores da marinha pretendem perfurar o casco da embarcação para tentar encontrar pessoas que estejam presas nos compartimentos de ar.

Um navio da marinha americana também vai ajudar nas operações de resgate.

Os primeiros quatros sobreviventes contaram à mídia local sobre os momentos que antecederam o acidente.

Renato Lanorio disse que estava no deck superior da embarcação quando uma funcionária pediu aos passageiros que colocassem coletes salva-vida, por volta das 11h30.

"Meia hora depois o barco começou a inclinar", disse ele.
A presidente das Filipinas, Gloria Arroyo, pediu explicações à guarda costeira sobre porquê o barco foi autorizado a viajar apesar dos alertas do tufão.

"Por que vocês permitiram que o barco saísse e por que não lançaram um alerta maior? Eu quero respostas", disse a presidente a autoridades da Guarda Costeira e da Defesa Civil durante uma coletiva de imprensa.

Estragos

A Cruz Vermelha estima que pelo menos 160 pessoas tenham morrido nos últimos dias em todo país por causa de enchentes e deslizamentos provocados pelo tufão.


Tufão e forte chuva deixaram várias regiões submersas / Reuters

 Com ventos de 120 quilômetros por hora, o tufão se aproximou na madrugada do domingo da capital, Manila, onde arrancou árvores e provocou a interrupção do fornecimento de eletricidade.

A região mais afetada pelo tufão foi a província de Iloilo, cerca de 500 quilômetros ao sul da capital.

A tempestade continua a provocar fortes chuvas ao longo da zona central e noroeste do país, com muitas áreas sem energia elétrica e outros serviços interrompidos.

Viagens de barco foram suspensas e vôos foram cancelados.
As Filipinas são um dos países mais atingidos por tufões no mundo, com uma média de mais de 20 a cada ano.

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