Autoridade Palestina expulsa Al-Jazeera após denúncia

RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - A Autoridade Palestina baniu as operações da TV Al-Jazeera em seu território na quarta-feira e disse que tomaria medidas legais contra a emissora por ter veiculado acusações contra o presidente Mahmoud Abbas. O Ministério da Informação disse em um comunicado que o canal, com sede no Catar, propagou calúnias e incitou os telespectadores contra as autoridades que administram a Cisjordânia, ocupada por Israel.

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O ministério disse que eram falsas as acusações exibidas na Al-Jazeera na terça-feira e atribuídas a Farouq al-Qadoumi, uma importante figura do partido Fatah, de Abbas.

O canal citou Qadoumi dizendo que Abbas conspirou com Israel para matar seu antecessor, Yasser Arafat, em 2003. Arafat morreu em um hospital de Paris em novembro de 2004 de uma doença não revelada.

"A TV Al-Jazeera vem dedicando espaço significativo de suas transmissões ao incitamento contra a Organização para a Libertação da Palestina e a Autoridade Nacional Palestina", disse o ministério em um comunicado.

"Apesar de nossas repetidas solicitações (à Al-Jazeera) para que seja objetiva quando cobre os assuntos palestinos e expresse uma posição equilibrada em relação à situação interna, o canal continua incitando", diz o texto.

Ao divulgar o banimento, um apresentador da Al-Jazeera afirmou que o canal "expressa sua perplexidade por esta decisão da Autoridade Palestina e declara que vai divulgar um comunicado em resposta às acusações do Ministério da Informação palestino."

A Al-Jazeera, disse o apresentador, foi um entre vários órgãos de imprensa a divulgar os comentários de Qadoumi sobre o suposto esquema para matar Arafat. A emissora transmitiu um programa especial de meia-hora sobre as alegações.

Três policiais palestinos à paisana visitaram a sede da TV em Ramallah nesta quarta-feira para entregar a ordem de encerramento das atividades.

"Os funcionários da Al-Jazeera não têm permissão para trabalhar, não têm permissão para transmitir, e suas equipes não tem permissão para produzir reportagens enquanto o Judiciário não der seu veredicto", disse Adnan Damiri, porta-voz do serviço de segurança palestino. "Nós vamos monitorá-los."

A Associação da Imprensa Estrangeira, cuja sede fica em Jerusalém, divulgou um comunicado no qual expressa profunda preocupação e pede à Autoridade Palestina que reconsidere sua decisão, levando em conta seu compromisso com a liberdade de imprensa.

Dirigentes palestinos definiram como calúnias as acusações de Qadoumi, que eles dizem ter como objetivo romper os esforços de unidade no Fatah. O partido atravessa um período de turbulência por causa das divisões entre suas facções.

Qadoumi vive fora dos territórios palestinos e há tempos critica Abbas.

As relações entre a Autoridade Palestina e a Al-Jazeera se tornaram tensas depois que o grupo islâmico Hamas desalojou as forças de Abbas da Faixa de Gaza, dois anos atrás. Os correspondentes do canal disseram então que os assessores de Abbas e autoridades do setor de segurança estavam incitando a população contra eles.

Dirigentes palestinos acusaram a emissora de tomar o partido do Hamas, alegação negada pela Al-Jazeera. Na época, os correspondentes da Al-Jazeera foram proibidos de entrar nos escritórios de Abbas ou retirados dali.

(Reportagem de Mohammed Assadi e Ali Sawafta em Ramallah e Inal Ersan em Dubai)

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