Jornalistas desafiaram porta-voz a provar que a água da região de complexo nuclear não oferece risco de contaminação

Uma autoridade do Japão bebeu água coletada na usina nuclear de Fukushima, que teve seus reatores danificados pelo terremoto seguido de tsunami que atingiram o Japão em março.

Yasuhiro Sonoda bebe água coletada na usina de Fukushima durante coletiva em Tóquio, no Japão (31/10)
AFP
Yasuhiro Sonoda bebe água coletada na usina de Fukushima durante coletiva em Tóquio, no Japão (31/10)

Yasuhiro Sonoda, porta-voz parlamentar do gabinete de governo, bebeu o copo de água demonstrando nervosismo depois que jornalistas o desafiaram a provar que a água da região não tem risco de contaminação durante uma entrevista coletiva transmitida pela televisão.

A água bebida pela autoridade foi retirada de poças localizadas embaixo dos prédios de dois reatores da usina danificada. Esta água passou por um processo de descontaminação e já está sendo usada para outros fins, como regar plantas, por exemplo.

Em outro sinal de confiança no plano para conter o vazamento radioativo na usina, as autoridades do Japão informaram que vão permitir que jornalistas visitem a usina no dia 12 de novembro.

Será a primeira vez que jornalistas visitam a área desde o dia 11 de março, quando Fukushima foi danificada pelo terremoto seguido de tsunami.

A zona de exclusão de 20 quilômetros em volta da usina nuclear ainda está em vigor e dezenas de milhares de pessoas tiveram que abandonar suas casas.

Na semana passada, um comitê nuclear criado pelo governo do Japão alertou que o fechamento da usina não será concluído antes de 30 anos.

Segundo o canal de televisão NHK, a Comissão de Energia Atômica prevê para antes de três anos a retirada do combustível utilizado nas piscinas dos reatores 1, 2, 3 e 4, que será levado a uma piscina de armazenamento comum. Os especialistas querem também que o combustível que está no interior do núcleo dos reatores 1, 2 e 3, os mais danificados pelo tsunami de março, comecem a ser retirados antes de dez anos.

Segundo o comitê, passarão pelo menos 30 anos antes que todo o combustível seja retirado e haja condições necessárias para que os reatores da central, que operavam desde a década de 1970, possam ser desativados.

"Não podemos prever uma data para o fechamento da central até a pesquisa ser concluída", disse à NHK um dos especialistas do comitê, o professor Hajimu Yamana, da Universidade de Kioto.

Com BBC e Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.