Teerã, 2 jan (EFE).- O secretário do Conselho do Discernimento do Irã, Mohsen Rezaei, qualificou de marcha à ré animadora o último comunicado do líder da oposição Mir Hossein Moussavi.

Em carta dirigida ontem ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, publicado hoje no jornal conservador "Etelaat", Rezaei afirma que o novo comunicado de Moussavi é uma marcha à ré e um ponto de partida para colocar "fim às preocupações".

"A marcha a ré de Mir Hossein Moussavi em sua negação ao Governo de Mahmoud Ahmadinejad, junto a sua construtiva proposta ao Parlamento e ao Poder Judiciário para que cumpram suas obrigações de pedir explicações ao Governo, embora tenha chegado tarde, pode servir de ponto de partida para a unidade", diz a carta.

Moussavi, ex-candidato à Presidência iraniana nas eleições de 12 de junho, tinha denunciado o resultado do pleito, mas depois retirou sua denúncia.

O ex-comandante do corpo da Guarda Revolucionária afirmou também que os conselhos do líder supremo iraniano podem facilitar agora um novo movimento para estabelecer a unidade e a irmandade no país.

A carta de Rezaei, no entanto, foi qualificada pelo site pró-reformista "Jaras" como uma "tentativa de tirar um privilégio que Moussavi nunca deu em seu comunicado".

O site acrescentou que o comunicado de Moussavi é uma prova da boa vontade das autoridades do regime iraniano, já que, nele, o ex-candidato presidencial pediu as mais mínimas reivindicações do povo.

O comunicado de Moussavi, aparentemente dirigido ao líder supremo iraniano, afirma que o encarceramento, a execução e o assassino dos líderes da oposição não é a solução para a crise.

"Não tenho medo de me tornar um dos mártires no caminho das reivindicações do povo após as eleições presidenciais", disse Moussavi, em seu comunicado, no qual colocou cinco soluções para sair da crise atual no Irã.

Moussavi pediu "a responsabilidade direta do Governo perante o Parlamento e o Poder Judiciário pelos eventos posteriores às eleições", "a libertação dos presos políticos", "a criação de leis eleitorais claras e transparentes", "a liberdade da imprensa e a liberação dos jornais fechados", e "o reconhecimento do direito do povo de ter partidos e de realizar manifestações pacíficas". EFE msh/an

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