Autoridade iraniana diz que eventos pós-eleitorais foram premeditados

Teerã, 1 ago (EFE).- O vice-procurador do tribunal geral e revolucionário de Teerã disse que os eventos surgidos após as eleições presidenciais no Irã foram programados há tempos atrás.

EFE |

Segundo a agência semi-oficial iraniana "Fars", o vice-procurador do tribunal fez esta declaração durante a leitura da acusação geral contra os detidos na sessão de processamento de hoje do primeiro grupo dos detidos pelos eventos pós-eleitorais no Irã.

O responsável do órgão judicial disse também que os eventos depois das eleições no Irã foram episódios de um plano premeditado, para provocar "um golpe de Estado de veludo", com o pretexto de eventuais fraudes eleitorais nas eleições de 12 de junho.

O vice-procurador acusou, em seguida, os inimigos estrangeiros do Irã especialmente Estados Unidos, Reino Unido e Israel, de ter participado e investido neste plano, que qualificou de "infrutífero".

"A participação de 85% dos eleitores com direito a voto nestas eleições foi uma mostra do poder da República Islâmica do Irã, que elevou sua legitimidade e, por conseguinte, seu poder de negociação perante o mundo em assuntos de interesse nacional como o caso nuclear", disse.

O vice-procurador repassou das revoluções de "veludo" que, segundo ele, os EUA provocaram até agora em países como Polônia, Geórgia, Ucrânia, Croácia e Sérvia.

Na opinião dele, nos eventos ocorridos no Irã após as eleições de 12 de junho, "foram cumpridos 100 casos das 198 instruções sugeridas em um livro escrito por Jane Sharp" sobre as maneiras de provocar uma revolução de "veludo".

O responsável, que disse se apoiar em declarações de um iraniano detido sob a acusação de espionagem para a CIA, cuja identidade não revelou, disse também que as várias fundações, assim como serviços de inteligência de países ocidentais, trabalharam há anos para provocar este tipo de revolução no Irã, através da criação de ONGs e o posterior financiamento.

"As mais importantes entre estas fundações são a fundação Soros, a Fundação Ford, a Casa de Liberdade, a associação da política externa da Alemanha e o centro das investigações democráticas da Inglaterra", disse.

O vice-procurador acrescentou que grupos de oposição estabelecidos no exterior, como os Mujahedines do Povo e os partidários da monarquia, também participaram deste plano junto com os reformistas no Irã.

O responsável do tribunal disse também que a fraude eleitoral foi "uma mentira" inventada por alguns grupos políticos no Irã para poder questionar o resultado das eleições e provocar manifestações nas ruas.

Ele também acusou membros do partido dos Mujahedines da Revolução Islâmica", de Mohamad Khatami, que apoiou a candidatura de Mir Hussein Moussavi, e disse que este grupo tentou questionar desde antes, durante e depois das eleições a transparência das mesmas.

O alto funcionário de Justiça afirmou que, entre os detidos nos "distúrbios" após as eleições no Irã, destaca-se a presença dos membros dos Mujahedines do Povo, uma organização armada opositora ao regime iraniano no exílio, que, segundo ele, tinham recebido treinamentos no quartel militar deste grupo no Iraque.

O tribunal revolucionário de Teerã começou hoje o processamento de um grupo de detidos durante as manifestações de protesto contra o resultado das eleições de 12 de junho, qualificadas de "fraudulentas".

As manifestações pacíficas foram reprimidas brutalmente pela Polícia, com um balanço oficial de mais de 20 mortos e milhares de detidos. EFE msh/an

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