Autoridade francesa pede prudência em investigação do AF 447

PARIS (Reuters) - O secretário de Estado dos Transportes da França, Dominique Bussereau, lançou novo pedido de prudência em relação aos dados da investigação sobre a queda do Airbus da Air France e disse que a prioridade é a busca das caixas-pretas. O objetivo principal é colocarmos as mãos nas chamadas caixas-pretas, os gravadores de vôo, disse ele à RTL.

Reuters |

O ministro da Defesa francês, Hervé Morin, declarou que, em princípio, a hipótese de atentado terrorista não está excluída, embora, na ausência de ameaças ou de reivindicação, não exista nenhum elemento que aponte para ela.

"Eu nunca descartei a hipótese do terrorismo", disse ele diante da Associação de Jornalistas da Imprensa Aeronáutica e Espacial (AJPAE). "A investigação não possui elementos que possam corroborar essa tese. Não estamos privilegiando nenhuma hipótese."

O Airbus, que decolou do Rio de Janeiro com destino a Paris, desapareceu por razões ainda desconhecidas, com 228 pessoas a bordo, enquanto sobrevoava o Atlântico.

Com a multiplicação das hipóteses sobre as causas da tragédia, foi recomendada prudência aos oficiais e pilotos franceses.

O Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), em comunicado divulgado na noite de quinta-feira, destacou que até o presente estágio da investigação só foram estabelecidos dois elementos.

Um deles é a presença, na proximidade da rota prevista do avião sobre o Atlântico, de condições ditas de "células convectivas" (movimentos atmosféricos verticais que se traduzem por correntes ascendentes e descendentes), características das regiões equatoriais.

O outro é, "a partir da análise das mensagens automáticas transmitidas pelo avião, a incoerência das diferentes velocidades medidas" da aeronave.

Esse elemento permite supor que uma sonda possa ter sido danificada, transmitindo dados errôneos à tripulação sobre a velocidade do avião.

Em consequência, a Airbus divulgou procedimentos a serem seguidos caso a tripulação suspeite de falhas nos indicadores de velocidade das aeronaves. Essa recomendação, confirmada pelo BEA, não implica que os pilotos tenham cometido erros, mas que os instrumentos de medição da velocidade estivessem funcionando incorretamente.

A mensagem da Airbus foi enviada a todos os proprietários do modelo A330 na noite de quinta-feira. Uma fonte do setor disse que alertas desse tipo só são enviados quando investigadores de acidentes aéreos estabelecem fatos que consideram ser importantes o suficiente para serem imediatamente divulgados às empresas.

Um porta-voz da Airbus disse nesta sexta-feira que o alerta a seus clientes não implica que os pilotos da aeronave acidentada tenham feito algo de errado ou que uma falha de projeto tenha causado o desastre.

(Por Gérard Bon)

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