Autoria de atentado que matou 17 na Síria segue desconhecida

Damasco, 27 set (EFE).- A explosão de um carro-bomba hoje em Damasco causou a morte de 17 pessoas e deixou outras 14 feridas, em um atentado sem precedentes na história recente da Síria e cuja autoria ainda não foi assumida por nenhum grupo.

EFE |

A televisão estatal síria, que fez uma ampla cobertura do fato, informou que a explosão aconteceu na estrada que liga Damasco ao aeroporto da capital, por volta das 8h (2h de Brasília).

O veículo se encontrava próximo à região conhecida como mesquita Al-Sayida Zeinab, onde fica o mausoléu da neta do profeta Maomé.

O lugar é visitado por milhares de peregrinos xiitas provenientes do Irã, Líbano, Iraque e da própria Síria.

Além disso, o canal de televisão árabe "Al Jazira" informou que a explosão aconteceu perto de um centro da segurança do Estado, fato que não foi confirmado por nenhuma fonte oficial síria.

O ministro do Interior Bassam Abdel Majid qualificou o atentado de ação "terrorista e covarde" e reiterou que a bomba tinha como alvo a população civil.

"Foi uma operação terrorista e covarde contra uma área muito transitada", disse o Ministro.

Os moradores da região, que descreveram a explosão como um tremor de terra, declararam à televisão síria que o número de vítimas poderia ter sido muito maior se o atentado tivesse ocorrido durante a semana, devido ao grande número de trabalhadores na área.

Além disso, o responsável sírio disse que até o momento se desconhece que grupo ou organização pode ter realizado o ataque, cuja autoria ainda não foi reconhecida.

A emissora síria, que interrompeu sua programação habitual para informar sobre o atentado, afirmou que o carro estava carregado com cerca de 200 quilos de explosivos e que unidades da luta antiterrorista abriram uma investigação para tentar esclarecer o fato.

Segundo a televisão, a explosão provocou grande destruição nas fachadas de casas e edifícios em um raio de várias dezenas de metros.

O último atentado destas características ocorreu em fevereiro passado, quando a explosão de uma bomba em Damasco resultou na morte de Imad Mugniyah, dirigente militar do grupo xiita libanês Hisbolá.

No entanto, até o momento, ninguém reivindicou a autoria do crime nem fez anúncio oficial sobre a identidade dos assassinos do líder xiita.

Além disso, no dia 2 de agosto, Mohammed Suleiman, conselheiro de segurança do presidente sírio, Bashar al-Assad, foi assassinado por um franco-atirador quando se encontrava em uma residência litorânea na cidade síria de Tartus.

O regime se limitou a confirmar uma semana depois o assassinato de Suleiman, quem alguns meios de comunicação árabes identificaram como o enlace militar do regime sírio com as milícias libanesas do Hisbolá, lideres da oposição no país.

O atentado de hoje ocorre também poucos meses depois que tiveram início conversas de paz indiretas com Israel, que para muitos observadores suporiam um afastamento entre Damasco e Teerã, principal aliado de Assad até o momento.

Por outro lado, os Irmãos Muçulmanos sírios, que vivem em exílio desde o enfrentamento armado que protagonizaram no final da década de 70 e início dos anos 80 com o regime de Damasco, afirmaram que o atentado é produto de uma luta interna entre os diferentes aparatos de segurança sírios pelo controle do regime.

A postura foi expressa por um porta-voz deste grupo islâmico em Londres, onde residem no exílio seus líderes, em declarações à "Al Jazira".

Além disso, também se especula que o atentado possa ter sido obra de um grupo sunita radical, devido à proximidade a um transitado mausoléu xiita e pela série de atentados terroristas de origem sectária que ocorreram no país a partir de 2004.

No entanto, um deputado do Parlamento citado pela televisão síria acusou os aparatos de inteligência israelenses e afirmou que Israel é o estado que mais se beneficia deste ataque.

Assim, enquanto continua a falta de informação por parte das autoridades e meios de comunicação sírios, crescem as especulações de políticos e analistas que coincidem unicamente na condenação deste ataque. EFE jfu/ab/rr

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