Autor de novas teorias sobre comércio e geografia econômica leva Nobel

Anxo Lamela. Estocolmo, 13 out (EFE).- A Real Academia das Ciências sueca homenageou hoje com o Nobel de Economia o americano Paul Krugman, criador de novas teorias que integraram pela primeira vez comércio internacional e geografia econômica, além de articulista prestigiado e opositor às políticas de George W.

EFE |

Bush.

Krugman, Prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais em 2004, foi condecorado por sua "análise dos padrões de comércio e da localização da atividade econômica", segundo a decisão da Academia divulgada em Estocolmo.

Sua "nova teoria do comércio", formulada em 1979, permitiu superar a explicação do economista britânico David Ricardo, vigente desde o início do século XIX, que reduzia o comércio internacional às diferenças entre países e que tinha demonstrado ser insuficiente depois da Segunda Guerra Mundial.

As teorias de Ricardo, aperfeiçoadas nas décadas de 20 e 30 do século XX pelos suecos Eli Heckscher e Bertil Ohlin, não eram suficientes para explicar a dominação progressiva do comércio internacional por países com condições similares e que comercializavam os mesmos produtos.

Para elaborar sua teoria, Krugman partiu do conceito básico de "economias de escala", pelo qual, quanto maior o volume de produção, mais baratos são os custos, e da qual os consumidores demandam variedades de produtos.

A partir daí concluiu que o novo fenômeno se explicava por permitir a especialização e a produção em grande escala, o que resultava em custos mais baixos e uma maior diversidade da oferta.

A nova teoria foi comumente aceita como um complemento fundamental às formulações clássicas e inspiradoras, além disso, de um enorme campo de pesquisa e com numerosas aplicações, por exemplo, na denominada "nova geografia econômica", desenvolvida pelo próprio Krugman.

Suas formulações podem explicar fenômenos como a concentração urbana, por que as atividades econômicas similares se localizam nos mesmos lugares ou o modelo centro-periferia em nível mundial.

Considerado um dos economistas mais influentes de sua geração, de inspiração "neokeynesiana", Krugman escreveu dezenas de livros.

Em uma de suas obras, ele denuncia submissão do sistema político, judicial e econômico americano à extrema direita.

Trata-se, na realidade, de uma recompilação de seus artigos, através dos quais construiu uma sólida carreira como polemista, desde 2000 centrada em sua influente coluna no jornal "The New York Times".

Desde essa época, Krugman se destacou como um opositor declarado do "neoliberalismo", em particular da política do presidente americano, George W. Bush, particularmente agora, em momentos de crise financeira internacional.

Em artigo publicado hoje pelo jornal nova-iorquino, Krugman elogia as medidas de resgate financeiro anunciadas pelo Reino Unido em contraposição às dos Estados Unidos, que se enredou em respostas marcadas pela "distorção ideológica".

Formado pela Universidade de Yale em 1974, Krugman se tornou doutor em 1977 pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e, desde 2000, trabalha como professor de Economia e Assuntos Internacionais na Universidade de Princeton.

Krugman também foi membro do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca com o presidente Ronald Reagan e assessor do Banco Mundial (BM), do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Trilateral (fundada em 1973 por personalidades de EUA, Japão e Europa) e da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 1991 foi condecorado com a medalha John Bates Clark, que a Associação Americana de Economistas concede a cada dois anos ao economista com menos de 40 anos que realizou a contribuição mais importante a estas ciências.

O Nobel de Economia, que na realidade se chama Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, foi adotado em 1969 pelo Banco da Suécia, que o financia.

É concedido pela Real Academia das Ciências e está dotado de 10 milhões de coroas suecas (aproximadamente 1 milhão de euros).

Com o anúncio do Nobel de Economia se encerra a rodada de ganhadores destes prêmios, que serão entregues em 10 de dezembro na habitual dupla cerimônia em Estocolmo e em Oslo. EFE alc/ab/jp

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