Autor de atentado de Lockerbie pode ser libertado por razões humanitárias

O Reino Unido pode libertar por motivos humanitários o líbio Abdelbaset Ali Mohmet al-Megrahi, condenado em 2001 à prisão perpétua pelo atentado de Lockerbie e vítima de um câncer de próstata, informou nesta quinta-feira a imprensa britânica.

AFP |

A notícia, entretanto, foi tachada de especulações pelas autoridades.

Megrahi foi condenado à prisão perpétua por ter participado do atentado contra o voo 103 da Pan American World Airways que explodiu quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie em 1988, matando 270 pessoas.

O líbio, de 57 anos, cumpre desde 2001 uma sentença de prisão perpétua - com obrigação mínima de 27 anos - pelo atentado contra o voo que percorria o trajeto entre Londres e Nova York.

Ele foi condenado pela justiça escocesa em um tribunal especial reunido em Haua.

O ex-agente líbio deve voltar na semana que vem para seu país, informaram na noite de quarta-feira as redes de televisão BBC e Sky News, sem citar fontes.

No entanto, o governo escocês qualificou de "especulação" as informações da imprensa britânica sobre a libertação, por razões humanitárias, do autor do atentado de Lockerbie, ao assegurar que "não há qualquer decisão" a este respeito.

"Não foi tomada qualquer decisão, nem sobre o pedido de libertação por razões médicas ou sobre o pedido de aplicação do acordo de transferência (entre Grã-Bretanha e Líbia). Então, tudo isto é especulação", disse o porta-voz do governo escocês Alex Salmond.

"O secretário de Justiça, Kenny MacAskill, espera tomar uma decisão este mês", completou o porta-voz.

Segundo a BBC e a Sky News, Al-Megrahi sofre de câncer de próstata.

O governo escocês admitiu que recebeu, em julho, um pedido de libertação de Al-Megrahi por razões médicas, após outra solicitação, em maio, para a transferência do condenado à Líbia, com base em um acordo bilateral, um tratado de transferência de prisioneiros entre Líbia e Reino Unido.

Megrahi, que está com 57 anos e teve o câncer diagnosticado no ano passado, também apresentou um recurso contra sua sentença no começo do ano. Segundo seu advogado, a doença se espalhou para outras partes do corpo e está em fase avançada.

A notícia da possibilidade da libertação provocou reações diferentes entre as famílias das vítimas do atentado - 259 pessoas a bordo do avião e 11 em terra -, originárias de 21 países, a maioria dos Estados Unidos.

Susan Cohen, que perdeu a filha de 20 anos, Theodora, se declarou "enojada" com a possibilidade da libertação, que chamou de "infame".

Outros afirmaram temer que Megrahi seja recebido como um heroi na Líbia ou que a libertação seja interpretada como uma rendição ao terrorismo.

O britânico Martin Cadman, que perdeu o filho Bill na tragédia, tem opinião diferente. Em entrevista à BBC ao lado de Jim Swire, pai de outra vítima, afirmou que Megrahi é "inocente" e que o julgamento foi uma "farsa".

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