Autor de ataque frustrado declara-se inocente à Justiça dos EUA

DETROIT - O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, acusado de tentar detonar uma bomba em um voo entre Amsterdã e Detroit no dia 25, declarou-se nesta sexta-feira inocente das acusações que lhe foram imputadas, informaram seus advogados de defesa. A declaração foi feita durante seu primeiro comparecimento a um tribunal dos EUA.

iG São Paulo |

O jovem, de 23 anos, confirmou sua identidade e ouviu a leitura das atas de acusação. Mas foram seus advogados que anunciaram ao magistrado que ele se declara inocente.

AFP
Abdulmutallab

Abdulmutallab

Vestido com uma camiseta branca e uma calça bege, Abdulmutallab confirmou que tomava medicamentos para atenuar as dores dos ferimentos que sofreu ao tentar acender um artefato explosivo que estava escondido em suas roupas íntimas.

Durante a tentativa de ataque, ocorrido no dia de Natal, o nigeriano foi rendido por passageiros e a tripulação do voo 253 da Northwest. A ação foi reivindica pelo braço da Al-Qaeda na Península Arábica, cuja base é o Iêmen. 

Na audiência em uma corte federal de Detroit, será determinado se Abdulmutallab, que recebeu formalmente seis acusações, deve ser mantido sob custódia. A audiência começou às 16 horas de Brasília.

Além de ser indiciado por possuir uma bomba para um crime violento, o nigeriano também recebeu outras quatro acusações: tentativa de matar 290 pessoas, tentativa de usar uma arma de destruição em massa, tentativa de destruir a aeronave e posicionamento de um dispositivo destrutivo dentro do avião.

Segundo especialistas, com tantas provas contra o suspeito, sua defesa tem pouco espaço de manobra, podendo apenas pedir testes de saúde mental ou tentar um acordo.

Se condenado no processo, Abdulmutallab pode ser sentenciado à prisão perpétua sob a acusação de tentar usar uma arma de destruição em massa.

AP
Desenho mostra Umar Farouk Abdulmutallab durante audiência

Revisão de segurança

A tentativa de ataque estimulou uma forte crítica à segurança dos aeroportos e aos serviços de inteligência dos EUA.

Na quinta-feira (7), o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou novas diretrizes para as listas de observação de terroristas e outras reformas de segurança.

Ao mesmo tempo em que criticou as falhas "sistêmicas" de inteligência que permitiram o embarque de Abdulmutallab com um explosivo, Obama afirmou: "No fim das contas, a responsabilidade (pela segurança dos EUA) é minha."

Os EUA falharam em "conectar e entender" as informações de inteligência prévias à tentativa de ataque, acrescentou no pronunciamento feito na Casa Branca na quinta-feira.

O nome de Abdulmutallab estava em uma base de dados de cerca de 550 mil suspeitos de terrorismo, mas não em uma lista que obrigaria que ele fosse submetido a uma inspeção mais rigorosa ou o impediria de embarcar de Amsterdão para Detroit.

Segundo um relatório de segurança divulgado na quinta-feira, um erro de ortografia no nome de Abdulmutallab levou o Departamento de Estado dos EUA a acreditar que ele não tinha um visto americano válido - mas ele tinha.

*Com informações da BBC e AFP

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