Autópsia confirma que polícia israelense matou criança palestina

RAMALLAH - A autópsia do corpo de uma criança palestina morta nesta terça-feira em uma manifestação em Nilin, na Cisjordânia, confirmou que ela foi atingida por uma bala disparada pela Polícia de Fronteiras israelense, informaram hoje fontes oficiais palestinas.

EFE |

"A análise feita no Instituto Legal Palestino demonstra que os israelenses a mataram", disse o governador de Ramallah, Said Abu Ali.

Segundo Ali, a causa de morte de Ahmed Moussa, de dez anos, é uma "bala procedente de um M16 da Polícia de Fronteiras que disparou contra os manifestantes".


Enterro de Hamad Hosam Mussa reuniu milhares de palestinos / AP

Um porta-voz da Polícia de Fronteiras israelense afirmou que a instituição não teve acesso aos resultados da autópsia, que será verificada por seus próprios analistas.

Ele acrescentou que a polícia de fronteiras "investiga os fatos" e "transferiu toda a informação aos investigadores para que descubram o que aconteceu".

Sobre o anúncio por parte dos palestinos de que a criança morreu com uma bala de um M16, o porta-voz disse que o "Exército israelense não é o único a utilizar os M16 no Oriente Médio".

O incidente aconteceu ontem à tarde, quando soldados israelenses dispararam contra centenas de pessoas que protestavam contra a construção do muro de separação com Israel.

As tropas israelenses usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar o protesto, segundo testemunhas e fontes médicas, que afirmaram que dez manifestantes e dois membros das forças de segurança israelenses ficaram feridos.

O Exército israelense chamou ontem o protesto de "muito violento" por causa do "lançamento constante" de pedras contra seus homens.

Nilin tem se tornado há alguns meses palco de até quatro manifestações semanais por parte de moradores da região e ativistas israelenses e internacionais contra a barreira de cercas e concreto que Israel começou a construir na Cisjordânia em 2002.

No início do mês, o povoado permaneceu dois dias sob toque de recolher e como "zona militar fechada" onde ninguém tinha acesso ao local, inclusive jornalistas.

Segundo dados do Comitê de Nilin contra o Muro, a construção da barreira representa a perda de 250 hectares, um terço das terras de seus habitantes, e foi planejada para facilitar a expansão do assentamento judaico vizinho de Hashmonaim.

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