Autonomia de Santa Cruz é golpe, diz governo da Bolívia

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - A longa crise política boliviana se agravou na sexta-feira, quando o governo disse ser vítima de um golpe de Estado representado pela proclamação unilateral da independência do Departamento de Santa Cruz (leste).

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'[Queremos] dizer aos bolivianos que o golpismo de tipo parlamentar não vai passar, que as autoridades garantiremos o cumprimento da Constituição', disse o vice-presidente Álvaro García Linera, que é presidente do Congresso e presidente interino do país, devido à viagem de Evo Morales à cúpula euro-latino-americana de Lima.

Na véspera, entrou em vigor em Santa Cruz um estatuto de autonomia que não tem aval das autoridades nacionais. Em junho, três outros Departamentos bolivianos (de um total de nove) realizam referendos que também podem levar à autonomia.

Como resultado da vitória do 'sim' no referendo de 4 de maio em Santa Cruz, o titular do governo departamental passa a ser chamado de 'governador' (em vez de 'prefeito'), e o conselho de delegados locais passa a se intitular 'assembléia legislativa'.

'Se em algum momento essas pessoas se auto-designam dessa maneira, tentam exercer seus nomes com faculdade de direito público, nesse instante, nesse segundo essas pessoas estarão levando adiante um golpe de Estado contra o Congresso Nacional da República. Portanto se transformarão em golpistas, sem disfarces, e tentarão assassinar a democracia', advertiu García, sem especificar possíveis represálias.

O governo qualifica a autonomia cruzenha como 'elitista', 'separatista' e voltada para a proteção dos interesses dos latifundiários.

Apesar do alerta, García repetiu o apelo por um diálogo nacional que inclua a aprovação de uma nova Constituição, como quer o governo, e a questão das autonomias regionais.

'Está claro que não pode haver uma nova Constituição sem que se incorpore de maneira plena, sem mesquinharia, a autonomia departamental, mas também está claro que não podemos avançar na autonomia departamental sem uma nova Constituição', afirmou o presidente interino.

Ele confirmou ter convocado as quatro forças políticas do Congresso para buscar uma 'reconciliação política', o que, segundo líderes da oposição, poderia incluir o referendo revogatório dos mandatos do presidente e dos nove governadores regionais, convocado para agosto.

(Com reportagem de Eduardo García)

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