Austríacos premiam nacionalistas e extrema-direita com avanço nas eleições

Wanda Rudich. Viena, 28 set (EFE).- As forças nacionalistas e de extrema direita foram premiadas com um espetacular avanço nas eleições legislativas realizadas hoje na Áustria.

EFE |

Com os resultados, os eleitores mostraram sua decepção com a fracassada "grande coalizão" entre o Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) e o Partido Popular Austríaco (ÖVP), dissolvida 18 meses após sua formação.

"Não foi possível recuperar a confiança", reconheceu Werner Faymann, ministro da Infra-estrutura austríaco e líder do SPÖ, que conseguiu defender seu primeiro posto, mas com o pior resultado desde 1945: menos de 30% dos votos, 5 pontos percentuais abaixo do resultado de 2006.

Pior ainda foi a situação do ÖVP, do vice-chanceler e ministro das Finanças, Wilhelm Molterer, que ficou com 25,6% dos votos, quase 9 pontos percentuais abaixo de seu último resultado, enquanto o até agora terceiro partido, o Bloco Verde (DG), foi relegado ao quinto lugar.

O castigo se refletiu também em uma queda de 7 pontos percentuais na participação eleitoral, que foi de 71,48%.

Assim, dos cinco partidos representados no Parlamento de 183 cadeiras, só o Partido Liberal da Áustria (FPÖ), do ultranacionalista Heinz-Christian Strache, e a Aliança pelo Futuro da Áustria (BZÖ), de Jörg Haider, líder histórico da extrema direita, ampliarão sua presença na Câmara.

Com uma alta espetacular de quase 7 pontos percentuais, o FPÖ conseguiu hoje 18% dos votos.

Este resultado não foi uma surpresa, já que todas as pesquisas tinham previsto um aumento inclusive maior para o líder do FPÖ, que foi discípulo de Haider quando este liderava os liberais, e que, assim como ele, se apóia em uma demagogia xenófoba e antieuropéia.

No entanto, a grande surpresa foi o próprio Haider, já que o BZÖ superou o previsto ao quase triplicar seus votos, para 11%.

Assim, juntos, os partidários de Haider e de Strache quase poderiam disputar com Faymann o primeiro posto. Em suas reações esta noite, após tomar conhecimento do resultado, os dois primeiros se mostraram decididos a participar do futuro Governo.

Com este panorama, a formação do novo Executivo se torna difícil.

O líder social-democrata, como candidato mais votado, deverá receber a incumbência do presidente do país de iniciar as negociações para formar Governo, e sua primeira opção é renovar a "grande coalizão" com o ÖVP, mas "sem Molterer", o líder do partido.

Em declarações à televisão pública "ORF", Faymann se pronunciou a favor de "uma situação estável, com um marco de garantia para a economia, o trabalho e a justiça social" ,e confirmou sua rejeição a se aliar a Strache ou Haider.

"Não posso imaginar um Governo com o BZÖ e o FPÖ", disse o social-democrata.

Enquanto Molterer reconheceu "a dolorosa derrota" de seu partido e não fechou nenhuma porta, nem sequer a passagem do ÖVP para a oposição, Strache e Haider coincidiram em interpretar que o voto de hoje é uma clara rejeição à coalizão entre o SPÖ e o ÖVP.

Desde que as primeiras projeções foram divulgadas, que surpreenderam o próprio Haider, este político populista fez várias referências a seu antigo discípulo para reunificar o BZÖ com o FPÖ.

"Felicito Strache. Juntos somos agora inclusive mais fortes que em 1999", disse Haider, em alusão à vitória, com 27% dos votos, que ele conquistou esse ano à frente então do FPÖ, e que lhe permitiu subir ao poder em 2000, gerando uma onda de protestos e um bloqueio da Áustria na UE.

No entanto, até agora Strache manteve uma firme rejeição a voltar a trabalhar com Haider, a quem acusa de traidor, e embora tenha expressado seu "respeito pelo resultado do governador de Caríntia", afirmou que "não haverá uma reunificação".

"Decepcionado" se mostrou o professor de economia Alexander van der Bellen, líder do Bloco Verde (DG), que tinha sonhado em alcançar hoje 15%, mas acabou não conseguindo nem 10%.

Com estas eleições, entrou em vigor a reforma eleitoral aprovada em 2007 que reduz, pela primeira vez em um país europeu, a idade mínima para votar aos 16 anos e prolonga o mandato da legislatura de quatro para cinco anos.

A mensagem da extrema direita conquistou estes novos eleitores e, segundo pesquisas, 25% das pessoas com menos de 30 anos se inclinaram pelo FPÖ e por seu líder de 39 anos, que misturou com sucesso em sua campanha o populismo nacionalista e a cultura juvenil.

Além disso, foi introduzido o voto por correio, um direito que teve a adesão de mais de meio milhão de eleitores. EFE wr/ab/an

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