Austríacos abusados por padres preparam ação contra a Igreja

Viena, 20 mar (EFE).- Cerca de dez vítimas de abusos sexuais cometidos em instituições católicas da Áustria se preparam para entrar na Justiça contra a Igreja e os religiosos responsáveis pelos casos, informa hoje a imprensa local.

EFE |

Para entrarem com uma ação coletiva, as vítimas se uniram em uma associação, denominada Vítimas da Violência Eclesiástica.

Segundo declarações do advogado Werner Schostal ao jornal "Der Standard", o objetivo da iniciativa, a primeira deste tipo no país, é forçar a Igreja e os religiosos responsáveis a aceitarem um acordo extrajudicial para o pagamento de indenizações. Caso as partes não cheguem a um entendimento, aí, sim, seria aberto um processo.

Schostal disse que as vítimas acham que serão mais bem-sucedidas em seu intento se processarem os padres diretamente responsáveis pelos abusos. Mas a grande incógnita é se os tribunais vão considerar os crimes prescritos.

Por isso, o advogado espera que "centenas de outras vítimas" que sofreram abusos em anos mais recentes se unam à associação.

Para não ir aos tribunais, as vítimas exigem o pagamento de indenizações de aproximadamente "80 mil euros por cada caso", disse o advogado.

Segundo o cardeal de Viena, Christoph Schonborn, existe a possibilidade de um acordo, já que, em uma entrevista que será publicada na edição de amanhã da revista "Profil", ele não descarta o pagamento de indenizações às vítimas.

"Normalmente, pressupomos que os pagamentos ficarão a cargo dos autores (dos abusos)", declarou o cardeal, considerado uma das autoridades mais influentes da Igreja Católica europeia.

Assim como na vizinha Alemanha, a Igreja austríaca se viu envolvida em série de denúncias de ex-alunos de escolas e internatos católicos que garantem ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos por professores.

Em um mosteiro beneditino na localidade de Kremsmunster, na região da Alta Áustria, pelo menos cinco homens asseguram que, nos anos 1980, sofreram maus-tratos e foram abusados sexualmente por três religiosos.

O escândalo arranhou a imagem da Igreja Católica no país. Segundo uma pesquisa divulgada hoje, 75% dos austríacos acham que a instituição não fará todo o possível para esclarecer os casos de abusos sexuais.

Já ontem, outra sondagem revelou que cerca de um milhão dos 5,6 milhões de católicos austríacos estão considerando a hipótese de se afastarem da religião católica. EFE jk/sc

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