Australianos podem salvar o planeta comendo camelos e cangurus

Cientistas australianos sugeriram à população que coma camelos e cangurus para ajudar a lutar contra o aquecimento climático e preservar a natureza desse país continental.

AFP |

Os cientistas recomendam que o canguru se torne um alimento de base dos australianos, ao invés do carneiro e do boi.

As flatulências dos bovinos e ovinos, que contêm metano, constituem uma parte significativa das emissões de gases causadores do efeito estufa na Austrália. Já os cangurus têm um aparelho digestivo que respeita mais o meio ambiente.

"Durante a maior parte da história humana da Austrália - aproximadamente 60.000 anos - o canguru foi a principal carne. Ele pode muito bem voltar a ser", indicou o professor Ross Garnaut, conselheiro do governo sobre a mudança climática, em relatório recentemente publicado.

No caso dos camelos, os cientistas acreditam que cozinhá-los pode ser um caminho interessante para tentar reduzir a população deste animal, que passa de um milhão no país continente, e que causa danos consideráveis ao frágil ecossistema do "outback" (deserto) australiano.

"Faça como eu, hoje comi camelo", declarou o professor Murray McGregor, co-autor de um estudo realizado durante três anos sobre a superpopulação de camelos e apresentado mês passado ao governo.

Seja para os camelos ou para os cangurus, os cientistas reconhecem que mudar os hábitos alimentares dos australianos é complicado, mas eles se dizem convencidos de que a redução do rebanho de bovinos, ovinos e camelos é uma medida indispensável.

Em seu estudo, Ross Garnautt considera que até 2020, os rebanhos de bois e carneiros podem ser reduzidos em sete e 36 milhões, respectivamente, permitindo paralelamente o aumento do número de cangurus, de 34 milhões atuais para 240 milhões.

Ele reconheceu, no entanto, que esta idéia traria problemas de gestão das criações de gados, reticências dos consumidores, e igualmente da evolução dos gostos alimentares da população.

Apesar de alguns australianos se negarem a comer canguru, uma parte da população consome esta carne, principalmente por motivos dietéticos.

"É uma carne pobre em gordura, rica em proteínas e que é muito saudável porque é de um animal criado em liberdade", indicou Peter Ampt do Instituto dos estudos ambientais da universidade de Nova Gales do Sul.

Argumentos como este vêm se multiplicando no país para tentar convencer os australianos a colocar os camelos em suas mesas.

"É uma carne muito bonita, parece carne de boi. Ela é magra e excelente para a saúde", disse McGregor.

Diferente do canguru, nativo da Austrália, o camelo chegou ao deserto australiano no fim do século XIX, mas a espécie se propagou na natureza com o desenvolvimento dos transportes rodoviários e ferroviários.

Dispondo de grandes áreas e com poucos predadores, a população de camelos dobra a cada nove anos, e está na origem de importantes destruições de plantas, de fontes de água e de animais do deserto.

lb/lm/sd

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