Australiano diz ter salvado mais de 400 de suicídio em penhasco

Um australiano de 82 anos que vive perto de um penhasco usado com frequência para suicídios afirma ter convencido mais de 400 pessoas a desistir de por fim a suas vidas. Há cinco décadas, Donald Ritchie, armado apenas de seu binóculo e de um papo tranquilo, monitora o movimento no penhasco perto de sua casa nos arredores de Sydney conhecido como The Gap, que, além de oferecer uma privilegiada vista para o mar, possui a má fama de atrair suicidas.

BBC Brasil |

Pelo seu trabalho voluntário prevenindo suicídios na região onde mora, Ritchie foi batizado pela mídia australiana de "anjo da guarda".

No fim de semana, o australiano elevou sua própria contagem de vidas salvas para 401 - 161 delas foram reconhecidas por autoridades locais de Woollahra, o município em que vive.

Espreita
Ritchie passou quase cinco décadas de sua vida observando a beira do The Gap.

Quando percebia alguém muito pensativo, contemplando demais o oceano, e que havia ultrapassado as cercas que existem no lugar, o ex-vendedor de seguros de vida se dirigia ao local para conversar com a pessoa.

"Com apenas um sorriso, uma saudação, uma conversa amigável, muitas vezes conseguia fazer com a pessoa mudasse de ideia", disse ele, em entrevista à BBC brasil.

Entre seus argumentos mais eficientes está o convite de tomar um café em sua casa.

Mas devido à idade e a problemas de saúde, Ritchie tem se limitado a observar o local e alertar a polícia em caso de suspeitas de possíveis suicidas.

"Há dois dias salvei uma moça, ligando para a polícia", disse ele.

Algumas das mortes estão registradas em seu diário, outras estão muito vivas em sua mente.

Em uma ocasião, ele correu sério risco de morte.

"Há uns 20 anos fui salvar essa moça, ela estava quase mudando de ideia quando um carro se aproximou e ela se levantou para pular, eu a segurei, mas ela me puxou junto e foi por pouco que não caímos os dois", lembrou.

Ao longo dos anos, o "anjo da guarda" recebeu várias manifestações de agradecimento e carinho, entre cartas, pinturas e até garrafas de champanha deixadas em sua porta.

Em 2006, o aposentado foi homenageado com uma medalha do governo australiano. Mas ele evita a atenção da mídia por considerar suicídio um tema bastante delicado.

"Quanto mais divulgamos sobre suicídios, parece que mais eles acontecem", disse, lembrando do caso do suicídio de uma jornalista australiana, que teve grande destaque na imprensa. Logo depois do caso, houve mais seis suicídios no local.

Segundo dados do governo, estima-se que cerca de 50 pessoas cometem suicídio no The Gap por ano.

Em 2007, foram registradas 65 mil tentativas de suicídio e 1.881 mortes por suicídio no país.

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