Sydney (Austrália), 28 jul (EFE).- Um muçulmano australiano reconheceu hoje em um tribunal que fez parte de uma célula terrorista que planejou ataques a bomba que poderiam ter matado centenas de pessoas, informaram fontes judiciais.

Inicialmente, Shane Kent tinha negado pertencer ao grupo liderado pelo clérigo extremista de origem argelina Abdul Nasser Benbrika, que pregava a seus fiéis que é correto matar mulheres e crianças durante a jihad ou guerra santa do Islã.

Kent, de 33 anos, também se declarou culpado de ter conspirado para cometer atentados em grandes eventos por ordem de Benbrika para forçar o Governo australiano a retirar seus soldados do Afeganistão e do Iraque.

Em fevereiro, ambos foram condenados pela Corte Suprema do estado australiano de Victoria a 15 anos de prisão. Outros seis suspeitos receberam penas de entre quatro e sete anos de prisão durante o maior julgamento contra o terrorismo já realizado na Austrália.

A retratação de Kent aconteceu durante um novo processo iniciado contra ele a pedido de seus advogados, que alegam que seu cliente sofre de ansiedade e depressão crônica. A decisão judicial será emitida em 17 de agosto.

Os sete islamitas foram detidos em novembro de 2005 por pertencerem a um grupo armado e tentar atentar contra o então primeiro-ministro, John Howard, além de várias estações de trem e um estádio.

Em seus sermões, Benbrika elogiava o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e revelou durante um telefonema seus planos para colocar uma bomba em um campo de futebol ou em qualquer outro lugar onde pudesse cometer um grande massacre.

No entanto, o juiz não aplicou a pena máxima contra os acusados ao considerar que nunca chegaram a fixar um alvo específico ou a agir concretamente, embora não tenha manifestado arrependimento e não seja possível demonstrar que tenham renunciado a suas intenções violentas.

A maioria dos membros da célula terrorista são filhos de imigrantes de segunda geração em um país onde menos de 500 mil de seus 21 milhões de habitantes professam o Islã.

A Austrália nunca sofreu um ataque no interior de seu território, mas seus cidadãos já foram alvo de atentados cometidos em outros países, como o de Bali, na Indonésia, que matou 202 pessoas em 2002, entre elas 88 australianos. EFE mg/bba

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