Austrália investiga morte de refugiados afegãos

O governo da Austrália ordenou a investigação de alegações de que até 20 refugiados afegãos, que tiveram asilo negado no país, foram mortos pelo Talebã ao retornarem ao Afeganistão. Um documentário da TV australiana diz que os afegãos mortos faziam parte de um grupo maior de 400 refugiados que buscaram asilo na Austrália mas tiveram o pedido negado pelo governo anterior.

BBC Brasil |

O destino desses afegãos foi examinado pelo grupo de pesquisa social Edmund Rice Centre, que afirma ter provas da morte de nove desses refugiados, e que o número total, provavelmente, chega a 20.

A política do governo anterior que permitiu o retorno dos refugiados já foi suspensa. A política, chamada "Solução Pacífica", detinha os aspirantes a asilo viajando de navio em ilhas do Pacífico, impedindo que eles pusessem pé em terras australianas.

O novo primeiro-ministro Kevin Rudd suspendeu a Solução Pacífica e a política de retorno forçado.

Mortes
Os cerca de 400 refugiados mostrados no documentário ficaram detidos na ilha de Nauru e devolvidos para o Afeganistão, depois de ter o asilo negado.

Segundo muitos deles, os funcionários da imigração australianos afirmaram que era seguro voltar para casa, e que se eles permanecessem na ilha passariam o resto da vida detidos.

Mas a investigação do Edmund Rice Centre concluiu que alguns deles foram mortos pelo Talebã. Nove mortes estariam documentadas.

A investigação também concluiu que muitos dos refugiados que retornaram agora estão escondidos no Paquistão, ou são forçados a se deslocar entre o Afeganistão e o Paquistão para evitar sua captura.

Entre eles, estaria um afegão cujas filhas foram mortas em uma ataque a sua casa, perto de Cabul, depois que seu pedido de asilo na Austrália foi negado.

Política controversa
O diretor do Edmund Rice Centre, Phil Glendenning, disse que muitas das informações usadas para localizar os refugiados retornados vieram de funcionários da imigração contrários à controversa política de asilo do governo anterior, que introduziu a Solução Pacífica.

O novo ministro da Imigração, Chris Evans, pediu ao seu departamento que investigue as alegações.

Seu predecessor, Phillip Ruddock, disse que "é possível que tenha havido erros", mas acrescentou que o sistema de asilo da Austrália é "robusto e tem credibilidade".

Segundo Ruddock, a Convenção das Nações Unidas para Refugiados não impede que aspirantes a asilo sejam enviados de volta para locais perigosos.

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