Por Wayne Cole e Mike Peacock SIDNEY/LONDRES (Reuters) - A Austrália cortou sua taxa básica de juro de forma acentuada nesta terça-feira, antecipando as prováveis reduções na Europa no fim desta semana, enquanto as evidências de recessão aumentavam, apesar dos pequenos sinais de esperança vindos dos grandes bancos.

Para os investidores, apesar de a pior crise financeira em 80 anos ter ofuscado as eleições presidenciais dos Estados Unidos, o resultado da corrida presidencial norte-americana pode proporcionar algum alívio no mercado a partir das promessas de maiores estímulos fiscais.

Ganhe o candidato democrata Barack Obama ou o republicano John McCain, o novo presidente dos EUA vai enfrentar um grande desafio para recuperar a maior economia do mundo, que já está se contraindo.

O corte maior que o esperado de 0,75 ponto percentual na taxa de juro australiana seguiu as reduções nos Estados Unidos, China e Japão na semana passada. A expectativa é de que a Grã-Bretanha e a zona do euro também cortem a taxa de juro na quinta-feira em 0,5 ponto percentual, ou talvez mais.

A recessão que os bancos centrais e governos ao redor do mundo têm tentado evitar com trilhões de dólares em planos de resgates a bancos, injeção de liquidez em mercados monetários congelados e outras medidas econômicas parece cada vez maior.

O banco central da Austrália justificou a redução da taxa de juro para 5,25 por cento, menor patamar desde março de 2005, com a existência de um "enfraquecimento significativo" nas maiores economias industriais.

"Cada uma das grandes economias desenvolvidas está agora ou em uma recessão severa ou bem no caminho para isso", disse Rory Robertson, estrategista de política monetária da Macquarie, em Sidney.

Entre os bancos, no entanto, surgem sinais de notícias mais positivas.

O UBS AG, um dos bancos europeus mais atingidos pela crise, divulgou que os efeitos contábeis devem pesar nos resultados do quarto trimestre, apesar de o banco ter notado alguns sinais encorajadores de fluxo de clientes em Outubro.

O Royal Bank of Scotland, que está tomando 20 bilhões de libras em um empréstimo emergencial do governo britânico, divulgou uma baixa contábil de 206 milhões de libras (334 milhões de dólares) no terceiro trimestre, volume menor que o esperado.

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