Austrália começa a limpar lama e destroços deixados por enchentes

Chuvas deixaram ao menos 26 mortos e 53 desaparecidos no Estado de Queensland; mais de 65 mil imóveis continuam sem luz

iG São Paulo |

Brisbane, a terceira maior cidade da Austrália, começou na sexta-feira a limpar a lama e os destroços deixados por uma das piores inundações na história do país, mas técnicos disseram que levarão até seis meses para retirar a água das minas de carvão da região.

O nível do rio Brisbane começou a baixar, deixando à vista a magnitude dos destroços na cidade no Estado australiano de Queensland. Com a melhora da situação, alguns moradores puderam voltar a suas casas e lojas para ter noção dos estragos causados pelas enchentes, que afetou mais de 26 mil imóveis na terceira maior cidade da Austrália. Outros moradores, no entanto, terão de esperar semanas e até meses para voltarem a suas casas.

AP
Moradores de Brisbane limpam lama deixada pelas enchentes na Austrália
Às equipes de limpeza municipais se uniram dezenas de voluntários organizados através de grupos de moradores e do Facebook. Cerca de 65 mil casas e estabelecimentos comerciais seguem sem eletricidade e água potável, e seus moradores viajam para outros bairros para recarregar as baterias e encher garrafas de água. Nos primeiros trabalhos de limpeza, as equipes destacaram o mau cheiro, já que muita comida estragou e se misturou à água e ao lodo.

O prefeito de Brisbane, Campbell Newman, indicou que a prioridade no momento é reabrir as ruas da cidade, enquanto a primeira-ministra do país, Julia Gillard, destacou mais 1,2 mil soldados para a zona do desastre e assegurou que as tropas não deixarão faltar comida e outros artigos básicos nos bairros de difícil acesso. Engenheiros do Exército supervisionarão consertos urgentes em infraestruturas como estradas e pontes para recuperar a mobilidade o mais rápido possível.

Muitos subúrbios de Brisbane continuam tomados pela inundação, que começou em dezembro e afetou uma área do tamanho da África do Sul. As chuvas deixaram ao menos 16 mortos, elevando para 26 o número de mortos desde novembro, e 53 desaparecidos. Nas operações de resgate, soldados encontraram o corpo de um morador a cerca de 80 quilômetros de distância do lugar onde foi visto com vida pela última vez antes de ser arrastado pela enchente.

'Zona de guerra'

A primeira-ministra de Queensland, Anna Bligh, diz que Brisbane está parecendo uma "zona de guerra", e que no interior do Estado as vítimas passaram por um "terror". "Ainda estamos resgatando pessoas, ainda estamos retirando pessoas, então estamos bem no meio da reação emergencial", disse ela.

Colchões encharcados, roupas enlameadas e equipamentos elétricos danificados pela água se amontoam em frente às casas no bairro de Toowong.

Moradores usam bombas para remover a água, e mangueiras para tentar dissolver a lama dos pisos, evitando que ela resseque sob o sol forte, que voltou a brilhar na quinta-feira. Centenas de voluntários ajudam na operação.

As chuvas danificaram estações de tratamento de esgoto, fazendo com que o rio Brisbane levasse água contaminada para a cidade. "Precisamos nos preparar. Quando isso baixar, e está baixando bem rapidamente, vai cheirar mal, um fedor insuportável", disse Bligh. "Queremos esta lama fora da nossa cidade o mais rapidamente possível agora, é uma grande questão de saúde pública."

As inundações em Queensland praticamente paralisaram o setor minerador, que abastece siderúrgicas da Ásia com carvão. Mais de 40 minas estão paradas, e muitas passarão semanas retirando as águas dos seus canteiros. A Austrália é responsável por quase dois terços da exportação mundial de carvão coque e 90% sai de Queensland. A redução das exportações elevou em quase um terço o preço do carvão no mercado mundial.

*Com Reuters e EFE

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