A ausência de uma resposta iraniana à oferta das seis potências que tentam resolver a crise nuclear impediu a obtenção de avanços suficientes na reunião deste sábado em Genebra entre as partes e que contou com a participação de um alto funcionário norte-americano pela primeira vez.

Ao término do encontro com o negociador iraniano, Said Khalili, o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, assegurou que as seis potências continuam aguardando uma reação de Teerã à oferta apresentada em junho.

"Fizemos uma oferta. Não obtivemos uma resposta clara de sim ou não", afirmou à imprensa Solana.

Por esse motivo, o Alto Representante para a Política Exterior da UE considerou que "embora sempre há progressos nestas conversações, estes são insuficientes".

"Foi um encontro construtivo, mas seguimos sem tener uma resposta as nossas perguntas", insistiu Solana.

Os Seis (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) propuseram em junho de 2006 ao Irã uma ampla oferta de cooperação política e econômica em troca do fim de suas atividades de enriquecimento de urânio.

Solana apresentou em junho uma nova versão dessa proposta, sugerindo o estabelecimento de uma fase de pré-negociações que poderá ser iniciada se os iranianos aceitarem em um primeiro momento manter o enriquecimento em seu nível atual, um compromisso que os Seis compensariam não ampliando as sanções existentes contra o regime islâmico.

"Aguardamos uma resposta do Irã sobre essa questão... em duas semanas", disse.

"Esperamos que (o prazo de) duas semanas que estipulamos com os iranianos ajude o Irã a precisar seu enfoque sobre nossas propostas", declarou à agência russa Ria Novosti o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Kisliak, presente em Genebra.

Apesar disso, Solana explicou que ainda não foi fixada uma data e nem como o Irã apresentará sua decisão, que poderá ser por telefone ou por meio de representantes, em vez de um novo encontro de alto nível como o de Genebra.

Por sua vez, o negociador iraniano Said Khalili descreveu a reunião como "construtiva e com progressos". "Compreendemos melhor nossas posições mútuas", assegurou à imprensa.

"Há pontos em comum e pontos que não", e por esta razão "decidimos discutir sobre isso", acrescentou Khalili, sem entrar em detalhes.

O representante iraniano comparou as negociações com a arte de fabricar tapetes persas. "Às vezes o progresso" se mede em "milímetros", disse.

Altos funcionários iranianos, europeus e norte-americanos, incluindo o número três do Departamento de Estado, William Burns, participaram da reunião realizada na Prefeitura de Genebra.

A presença de Burns representa uma grande mudança na estratégia dos Estados Unidos, que romperam relações com o Irã em 1980, e sempre exigiram desse país a suspensão de suas atividades de enriquecimento de urânio como condição para aceitar uma participação nas negociações multilaterais.

De qualquer forma, Washington indicou na semana passada que Burns estaria em Genebra para "ouvir" e não para "negociar" com Teerã.

Os países ocidentais suspeitam que o Irã esteja produzindo a bomba atômica, o que custou a este país sanções das Nações Unidas, enquanto Teerã afirma que seu programa nuclear possui apenas fins civis.

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