Ausência de Lugo marca último debate de candidatos às eleições paraguaias

Por Luis Báez Assunção, 17 abr (EFE).- A ausência do ex-bispo Fernando Lugo marcou hoje o último debate televisivo antes das eleições gerais de domingo no Paraguai, no qual os outros três principais candidatos à Chefia de Estado não aprofundaram suas propostas para enfrentar os graves problemas do país.

EFE |

Lugo, favorito nas pesquisas, pediu desculpas uma hora antes através de uma carta enviada por seu chefe de campanha ao moderador do programa, Humberto Rubín, do canal "Telefuturo", para explicar que "não existem, neste momento, as condições políticas para poder participar de um encontro com estas características".

O argumento do candidato de um amplo grupo de oposição liderado pela segunda legenda do país e formado por grupos sociais e de esquerda motivou duras críticas de Rubín, assim como dos outros candidatos.

Fontes da Aliança Patriótica para a Mudança (APC) explicaram à Agência Efe que Lugo decidiu não comparecer ao debate por causa dos contínuos ataques pessoais feitos nos últimos dias pelos demais candidatos.

Os mais recentes foram do empresário Pedro Fadul, do Partido Pátria Querida (PPQ), que possui cerca de 3% das intenções de voto e que, na véspera, afirmou que alguns bispos tinham reconhecido que "tudo o que é dito sobre Lugo é correto".

O ex-bispo foi vinculado reiteradamente ao grupo de extrema esquerda que seqüestrou e assassinou Cecilia Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas. Falou-se inclusive em uma suposta paternidade.

Durante o debate televisivo entre Blanca Ovelar, do governista Partido Colorado, o general reformado Lino Oviedo, de uma legenda independente, e Fadul, estes dois últimos citaram algumas das acusações contra o ex-bispo.

Por outro lado, os três candidatos reiteraram suas já conhecidas propostas para os problemas mais graves do país, como a pobreza, a saúde, a educação e a falta de emprego.

Os três criticaram Lugo por sua promessa de campanha de conseguir a soberania energética e sua intenção de exigir a renegociação do tratado da hidroelétrica de Itaipu, que o Paraguai compartilha com o Brasil, para aumentar o lucro do país.

Além disso, consideraram que é preciso ser prudente com o Brasil e que o Paraguai deve utilizar em projetos industriais o excedente energético que agora vende ao país vizinho a preço de custo.

Enquanto Blanca defendeu o Governo do presidente Nicanor Duarte, no qual atuou como ministra da Educação, Fadul e Oviedo insistiram em que a situação do país é fruto dos 61 anos de administração do Partido Colorado.

"Nicanor criou muitíssimo postos de trabalho, na Espanha", ironizou Fadul, enquanto Blanca defendeu sua gestão como ministra se apoiando em dados sobre o aumento da escolarização na última década.

A candidata governista assegurou que o Partido Colorado foi o que "mais se modernizou" e atribuiu o atraso de seu país à auto-estima baixa: "Temos que melhorar nossa auto-estima, que vem de anos de subordinação e dependência".

O general reformado prometeu, da mesma forma que durante toda a campanha, impulsionar a agroindústria com a eletricidade de Itaipu, para deixar de depender da exportação de matérias-primas como a soja, o algodão e o milho.

No último dia de campanha, a oposição liderada por Lugo questionou a imparcialidade do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), de maioria governista.

O representante da APC, Juan Carlos Ramírez Montalbetti, denunciou que não confia no software que será empregado para transmitir os resultados preliminares no domingo.

A denúncia de Duarte sobre a suposta presença no país de agitadores que teriam chegado de Equador, Venezuela e Bolívia para tumultuar o processo eleitoral também elevou o tom do ambiente que antecede às votações.

Em entrevista a um canal de televisão venezuelano, Duarte advertiu o chefe de Estado desse país, Hugo Chávez, de que "não vai permitir que qualquer estrangeiro queira atrapalhar, embarreirar ou bagunçar o processo eleitoral".

"Temos informação de que grupos grandes, muito próximos ao presidente Chávez, estão colaborando com Lugo e isso para mim é realmente lamentável", afirmou o presidente paraguaio, que chamou de "padre fracassado" o ex-bispo, para uma multidão reunida nas praças do Congresso no fechamento da campanha governista. EFE lb/bf/db

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