Ausência de Fidel e falta de reformas frustram festa cubana

Recente atividade pública de líder cubano gerou expectativa de aparição oficial nesta 2.ª; cubanos esperavam anúncio de reformas

AFP |

O presidente de Cuba, Raúl Castro, liderou nesta segunda-feira a maior festa da revolução , marcada pela ausência de Fidel Castro, do presidente da Venezuela, Hugo Chávez (que cancelou sua participação pela crise com a Colômbia ), e dos anúncios de uma abertura econômica esperados pelos cubanos.

Raúl Castro, de uniforme de general, presenciou o ato do 26 de julho na Praça Ernesto Che Guevara, na legendária Santa Clara, a 280 km a leste de Havana, sem fazer o pronunciamento central do ato.

© AP
Raúl Castro participa de festa da revolução cubana ao lado do vice-presidente da Venezuela, Rafael Ramirez
"Fidel, cuja visível recuperação é motivo de profunda alegria para todos os revolucionários, está presente e combatendo neste dia que tanto significa para ele e para todos nós", afirmou o número dois de Cuba, José Ramón Machado, ao fazer o discurso.

A intensa atividade pública nas últimas semanas de Fidel Castro, que completa 84 anos em agosto, alimentou expectativas de que ele pudesse participar do evento em Santa Clara. "Esperávamos ver o comandante-chefe e, claro, ouvir Raúl, porque a situação do país está muito dura. Mas vamos continuar lutando", disse Antonia López, de 60 anos, na Praça Ernesto Che Guevara, onde está o mausoléu onde repousam os restos de Che.

Os cubanos também esperavam que Raúl Castro anunciasse neste 26 de julho reformas de peso para enfrentar a crise econômica, como uma abertura à pequena iniciativa privada, mas agora deverão aguardar o 1º de agosto, quando presidirá a sessão do Parlamento. Em seu lugar, o número dois de Cuba, José Ramón Machado, descartou uma esperada aceleração de reformas econômicas e afirmou que o governo "continua buscando soluções" para os problemas.

Os cubanos atingidos pela escassez de alimentos e o alto custo de vida, apesar da cesta básica subsidiada, a educação e a saúde gratuitas, aguardam a possibilidade de abrir pequenos negócios, assim como a eliminação de duas moedas e o fim das restrições à compra e venda de casas e carros. "Continuaremos a estudar, a analisar e tomar decisões que levem a superar nossas deficiências", assinalou o vice-presidente perante 90 mil pessoas que foram ao evento.

O governo enfrenta uma forte crise de liquidez, ineficiência e baixa produtividade, numa economia 95% controlada pelo Estado, afetada pela burocracia, a corrupção, o embargo dos Estados Unidos e o efeito de três furacões em 2008.

Fidel de verde-oliva

Usando o simbólico verde-oliva, Fidel Castro surpreendeu os cubanos neste fim de semana ao visitar uma cidade próxima a Havana pela primeira vez em quatro anos de doença. Para homenagear os rebeldes mortos no frustrado ataque ao Quartel Moncada, que liderou em 1953 contra a ditadura de Fulgencio Batista (1952-58), Fidel visitou no sábado um mausoléu em Artemisa, 60 km a sudoeste da capital, vestido com sua camisa militar tradicional, mas sem as insígnias de comandante-chefe.

Segundo as imagens de televisão, Fidel - com uma boa aparência - depositou flores nos túmulos dos guerrilheiros que morreram no ataque a Moncada, primeira ação armada da Revolução Cubana, saudou o povo e leu em pé e com fluidez uma mensagem "aos combatentes revolucionários de toda a Cuba".

Foi a sexta aparição pública de Fidel Castro em 17 dias, concedendo uma entrevista à televisão e visitando dois centros de pesquisa. Mas a viagem a Artemisa marcou a primeira incursão fora de Havana desde que sua doença o tirou do poder, em julho de 2006.

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