A última imagem divulgada do líder cubano Fidel Castro, considerado inimigo número um dos exilados cubanos em Miami, data de meados de novembro de 2008, quando saudava o presidente chinês, Hu Jintao.

A saúde de Castro, as incógnitas que semeia sua longa ausência e boatos sobre sua morte voltaram a se instalar na cidade, "a outra Cuba", como exilados cubanos batizaram Miami.

Dias atrás, no 50º aniversário da revolução que o sempre loquaz Fidel liderou na maior ilha do Caribe, mereceu de sua parte apenas um brevíssimo e frio comunicado de felicitações "ao povo heróico", comentam.

Visto em público pela última vez há dois anos e meio, as "reflexões do comandante" na imprensa oficial eram seu mais recente veículo de contato, mas não são publicadas há um mês.

"Dizer que Fidel morreu ou não, só nos leva a conjecturas", disse à AFP Janisett Rivero, do Diretório Democrático Cubano, em permanente contato com a oposição na ilha.

"O que podemos dizer é que se sente um maior nervosismo em Cuba, ao mesmo tempo em que aumentou a repressão a opositores nas últimas semanas", assinalou Rivero.

"Acho que o clima vivido atualmente é proporcional ao crescimento do descontentamento; o governo está perdendo terreno e, talvez, tenha perdido para sempre seu líder", opinou.

Enquanto versões sobre um "estado terminal" de Fidel corriam pela rede, em Miami a polícia conversou na quarta-feira com organizações do exílio para analisar medidas de segurança na cidade, relacionada a eventuais comemorações e à chegada de eventuais refugiados.

"Estamos conversando com nossos colaboradores locais e federais, porém não temos nenhuma informação que nos diga sobre alguma mudança em curso em Cuba", disse ao diário The Miami Herald o porta-voz da polícia de Miami, Delrish Moss.

Nas últimas semanas vários presidentes latino-americanos, como o panamenho Martín Torrijos e o equatoriano Rafael Correa, estiveram em Cuba, mas não puderam estar com Castro.

"O desfile de presidentes por Havana parece parte de um funeral... e, ainda por cima, partem sem vê-lo", disse à AFP Pedro González Munne, exilado cubano e editor em Miami do jornal eletrônico "La Nación Cubana".

"Fidel é hoje apenas um símbolo, como um monumento em uma praça", acrescentou Gonzalez Munne.

Durante seu programa radiofônico semanal, 'Alô Presidente', o venezuelano Hugo Chávez, principal interlocutor do velho líder cubano, chegou a fazer referências a uma eventual morte de Castro. "Sabemos que Fidel, aquele que percorria as ruas e povoados com sua figura de guerreiro, com seu uniforme, e abraçando o povo, já não voltará", disse.

As discussões sobre a saúde de Castro é o assunto dos exilados nos cafés de Miami e da Pequena Havana. Em compensação, o assunto é visto com indifereça por jovens cubano-americanos, mais preocupados com o emprego e as dificuldades econômicas dos Estados Unidos.

Miguel Calleja, um cubano de 37 anos que trabalha em um restaurante, acha que quando Fidel morrer a notícia será espalhada imediatamente em Miami.

Para o médico José Alfonso, ex-cirurgião do Ministério do Interior cubano, a ausência de Fidel passa por uma questão de imagem. "Não acho que Fidel Castro tenha morrido. Simplesmente não querem mostrá-lo no estado em que se encontra. Preferem que permaneça sua imagem de homem jovem e forte", opinou.

Boatos sobre a morte o ressurgimento com novos brios do pai da revolução cubana aparecem e desaparecem em Miami desde que Castro, 82 anos, adoeceu gravemente em julho de 2006 e deixou o poder.

"Regressei há alguns dias de Cuba, e todo mundo, estava muito tranquilo, inclusive muitos funcionários que conheço estavam de férias, o que não ocorreria se algo grave tivesse ocorrido", disse Alonso analista político da rádio 1140 de Miami.

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