México, 28 abr (EFE).- Partidos opositores, jornalistas e alguns setores econômicos do México criticaram hoje a forma como o Governo está conduzindo a epidemia de gripe suína que pode ter causado 155 mortes no país, sendo 20 delas já confirmadas.

Na maioria dos casos, as críticas se centram em uma suposta demora na hora de informar sobre a doença, algo que o Governo nega.

"Primeiro não se informou à sociedade quando ocorreu o fenômeno, mas até que começassem a aparecer as consequências, se disse que se poderia prevenir com vacina. Depois, disseram que isso não existia, que se tratava de uma cepa nova, e agora se diz que a solução são os retrovirais", questionou Porfirio Muñoz Ledo, coordenador da Frente Ampla Progressista (FAP).

O dirigente dessa coalizão de partidos de esquerda opinou, em entrevista publicada hoje no diário "El Universal", que falta "transparência" ao Governo Felipe Calderón.

Para ele, o Executivo tem uma política ruim de comunicação que gerou "histeria coletiva" e circulam "as versões mais disparatadas sobre a origem" da epidemia.

Segundo o líder político, os cidadãos mexicanos desconhecem "realmente a gravidade, a extensão e as consequências do problema".

Muñoz Ledo assegurou que no passado 18 de março se detectou o primeiro caso de gripe suína, o que o Governo nega.

Outros críticos foram além, como a senadora Yeidckol Polevnsky, do Partido da Revolução Democrática (PRD), que expressou na segunda-feira em coletiva de imprensa que teme que o Governo esteja manipulando a magnitude real da epidemia com fins eleitorais e para desviar a atenção da crise econômica e de uma suposta intenção de militarizar o país.

No próximo dia 5 de julho, o México realizará eleições legislativas parciais.

Pelo contrário, o coordenador dos senadores do esquerdista PRD, Carlos Navarrete, disse hoje em declarações à imprensa que não é o momento de responsabilizar ninguém.

Se houvesse "uma atitude condenável nas medidas desenhadas e implementadas ou alguma indolência (por parte do Governo), haverá tempo para avaliar", assinalou.

Alguns setores dizem inclusive que o Governo mexicano ocultou a informação do surto de gripe suína para não afetar a visita que o presidente americano, Barack Obama, fez ao México em 16 de abril.

O analista político Jorge Alcocer, colunista de opinião do periódico "Reforma", pediu hoje ao Executivo que "esclareça a informação, números verídicos e ações que tenham relação direta com a gravidade da situação". EFE jd/rr

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