Aumentam agressões de colonos contra população palestina, diz jornal

Jerusalém, 15 ago (EFE).- A Polícia israelense reconhece que em 2008 está sendo registrado um notável aumento das agressões de colonos à população palestina na Cisjordânia.

EFE |

Nos primeiros seis meses do ano, os colonos perpetraram 429 ataques contra a população da Cisjordânia, segundo dados analisados na semana passada em reunião com portas fechadas entre chefes da Polícia, do Exército e dos serviços de inteligência israelenses, de acordo com o jornal "Ha'aretz".

A modo de comparação, lembrou-se na reunião que, em todo o ano passado, as agressões a palestinos foram 551 no total, e 587 ao longo de 2006.

São, sobretudo, ataques em zonas rurais próximas aos assentamentos, embora este ano uma novidade chame a atenção: há vários ataques com morteiros de fabricação própria contra centros urbanos na Cisjordânia.

Frente a essas agressões, diz o diário, os diferentes organismos de segurança israelenses se acusam mutuamente de "olhar para o outro lado" para não ter de lidar com a situação dos colonos.

O representante do Shabak, serviço secreto interno, assegurou que os ataques foram "premeditados e planejados".

Acrescentou que qualquer ação preventiva por parte do Exército, responsável pelo território ocupado, "tem um preço determinado", ou seja, provoca represálias violentas.

Segundo a Polícia, o Exército não atua contra os colonos em casos nos quais seus soldados são testemunhas de agressões, e freqüentemente os oficiais se desentendem.

Colonos radicais atacaram violentamente no ano passado soldados e policiais para defender palestinos ou tratar de evacuar pequenas colônias de regiões isoladas.

O chefe de operações da Polícia israelense na Judéia e em Samaria (nomes bíblicos da Cisjordânia), Ronen Yefet, reconheceu que os agentes sob seu comando também preferem "virar os olhos".

"Algumas vezes os policiais também preferem não atuar contra judeus. Há casos nos quais se olha para o outro lado para poder dizer depois 'não vi nada'", disse Yefet na reunião.

Nos últimos meses, a organização israelense de direitos humanos B'Tselem documentou, por meio de câmeras entregues à população palestina, algumas surras aplicadas em agricultores palestinos, embora o Poder Judiciário não tenha levado os agressores a julgamento. EFE elb/fr

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