Pobres nos Estados Unidos estão sob risco cada vez maior de contrair doenças tropicais como dengue e Doença de Chagas, de acordo com um relatório. Os pesquisadores apontam mudanças climáticas e um aumento na pobreza como causas do problema.

O estudo, publicado na revista científica Neglected Tropical Diseases da Public Library of Sciences, alerta que embora essas doenças não sejam sempre fatais, podem debilitar severamente o paciente.

Além disso, muitas podem ser transmitidas ao feto pela mãe.

Como conseqüência, perpetuam a pobreza, afetando o desenvolvimento das crianças e a produtividade dos trabalhadores.

O médico Peter Hotez, responsável pelo estudo, disse que cerca de 36 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza nos Estados Unidos correm maior risco de ser afetadas por essas doenças, provocadas por parasitas e bactérias.

Ele disse que os mais vulneráveis são minorias, como negros que vivem no delta do rio Mississipi, mas também populações brancas que habitam as montanhas Apalaches, índios, moradores de bairros pobres em cidades grandes e imigrantes que vivem na região fronteiriça entre os Estados Unidos e o México.

Hotez disse que enquanto os Estados Unidos gastam mais de um bilhão de dólares por ano se preparando para epidemias de doenças que ainda não aconteceram, como varíola, gripe do frango e antraz, essas outras doenças continuam a afetar milhões, recebendo pouca ou nenhuma atenção do governo.

Hotez recomendou que sejam feitos mais controles sobre essas doenças, com testes em recém-nascidos e exames rotineiros de fezes para identificar infecções por parasitas.

Segundo o médico, já era tempo de essas doenças serem tratadas com seriedade. Ele qualificou de vergonha nacional a falta de atenção para o problema.

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