A ameaça de atentados terroristas perpetrados em uma grande cidade com armas nucleares ou biológicas está crescendo, principalmente nos Estados Unidos, segundo o relatório de uma comissão do Congresso americano citado nesta terça-feira pelo jornal Washington Post.

"A margem de segurança da América está diminuindo", diz este relatório, ainda não publicado, da Comissão bipartidária sobre a prevenção da proliferação das armas de destruição em massa e do terrorismo.

"Sem medidas rápidas e firmes, é mais que provável que uma arma de destruição em masssa seja utilizada para um atentado terrorista em alguma parte do mundo até o final de 2013", alertou a comissão, que conversou com mais de 200 especialistas desde maio para entregar suas conclusões ao Congresso e ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.

Neste relatório, a comissão pede a Obama que tome rapidamente "medidas conseqüentes" para reduzir este tipo de ameaça terrorista.

O Paquistão foi repetidamente mencionado por estes especialistas devido aos grupos terroristas radicados neste país, que possui a arma nuclear e é abalado por uma recorrente instabilidade política.

"O Paquistão é nosso aliado, mas existe um sério risco de que ele se torne o ponto de partida involuntário de um atentado terrorista nos Estados Unidos, talvez com armas de destruição em massa", acrescenta o documento, alguns dias depois dos sangrentos ataques de Mumbai, que deixaram pelo menos 172 mortos.

A Índia acusou "elementos" procedentes do Paquistão de estarem por trás destes ataques, e emitiu uma solicitação formal a Islamabad para que lhe entregue cerca de 20 suspeitos.

De acordo com a comissão, os terroristas têm acesso mais fácil às armas biológicas do que às armas nucleares. No entanto, a venda de armas atômicas no mercado negro está crescendo perigosamente.

Dirigida pelo ex-senador democrata da Flórida Bob Graham e o ex-representante republicano do Missouri James Talent, esta comissão foi criada pelo Congresso em 2007.

O relatório desta comissão defende que providências sejam tomadas no âmbito internacional para reforçar a segurança nos locais de estocagem de material nuclear sensível, como o urânio e o plutônio, e para combater o tráfico de tecnologia nuclear.

A comissão ainda exortou Barack Obama a tomar uma atitude firme com o Irã e a Coréia do Norte, e a fazer de tudo para impedir estes países de aumentarem seus estoques de urânio enriquecido e de plutônio.

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