Aumenta pressão sobre presidente do Parlamento britânico

A pressão está aumentando sobre o presidente do Parlamento britânico, Michael Martin, pela forma como vem atuando no escândalo sobre uso indevido de dinheiro público pelos parlamentares. Neste domingo, o líder do partido Liberal Democrata, Nick Clegg, pediu a renúncia de Martin, afirmando que ele não é o homem certo para liderar as reformas necessárias na Câmara dos Comuns.

BBC Brasil |

O presidente do Parlamento é considerado a voz que representa a Câmara dos Comuns e, por convenção, não é alvo de críticas por parte dos outros parlamentares, muito menos de líderes de partidos.

Mas alguns parlamentares acreditam que ele não demonstrou remorso suficiente sobre as recentes revelações do uso indevido de dinheiro público pelos parlamentares ao pedir reembolso de suas despesas. As denúncias foram feitas a partir de recibos vazados para a imprensa.

A expectativa é de que o parlamentar do Partido Conservador, Douglas Carswell, apresente uma moção de desconfiança a Martin na segunda-feira. Carswell afirma ter "pelo menos" meia dúzia de assinaturas apoiando a moção, incluindo a do conservador David Davis e de uma série de parlamentares trabalhistas.

Mas o parlamentar trabalhista Stuart Bell, aliado de Michael Martin, disse esperar que, em resposta, o presidente do Parlamento anuncie que vai permanecer no posto até as próximas eleições, previstas para maio do ano que vem.

De acordo com Bell, o grupo que pede a renúncia do presidente do Parlamento não reflete a maioria na Câmara dos Comuns.

Ele disse à BBC não acreditar que ninguém no Parlamento esteja preparado para forçá-lo a deixar o cargo.

Crise
O presidente do Parlamento vem sendo criticado pelo modo como vem agindo no escândalo dos reembolsos.

Em violenta discussão, no início deste mês, Martin criticou os parlamentares que questionaram a decisão de pedir à polícia que investigue o vazamento dos detalhes sobre os pedidos de reembolso dos parlamentares para o jornal Daily Telegraph.

Com a adesão do líder do Partido Democrata aos pedidos de renúncia, vai aumentar ainda mais a pressão sobre Martin.

Segundo o líder dos liberais democratas, a renúncia de Michael Martin é necessária para que o público recupere sua confiança no Parlamento.

"Não acredito que ele seja o homem certo para o trabalho de liderar a renovação que Westminster precisa", disse ele. "Precisamos começar de novo."
Martin é "um defensor teimoso do status quo", disse Clegg, afirmando que o Parlamento agora precisa de um reformista radical.

Clegg disse ainda que o presidente do Parlamento se tornou um obstáculo à maior "transparência e prestação de contas" sobre o que os parlamentares devem receber.

As autoridades da Câmara dos Comuns - entre as quais o presidente é a mais alta - bloquearam uma série de pedidos para que fossem liberados detalhes sobre os gastos dos parlamentares, de acordo com a lei de Liberdade de Informação.

Controverso
Segundo o repórter de política da BBC Iain Watson, Clegg está quebrando a convenção ao pedir a renúncia de Martin, e sua atitude pode gerar controvérsias.

A parlamentar trabalhista Kate Hoey disse neste domingo à BBC que iria assinar a moção de desconfiança.

Segundo Hoey, o presidente do Parlamento "tem que estar acima de tudo e demonstrar liderança".

Qualquer ação para forçar a saída de Martin, no entanto, terá que ser apoiada pelos conservadores, e analistas políticos questionam se eles estariam dispostos a fazê-lo menos de um ano antes das próximas eleições.

Tanto o governo como a liderança conservadora, no entanto, afirmam que esta é uma questão a ser decidida pelo Parlamento.

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