Aumenta pressão por mudanças no Haiti, em meio a tumulto provocado pela fome

A pressão por uma mudança de governo no Haiti se acentua após uma semana de distúrbios que causaram cinco mortos e dezenas de feridos, em meio à alta dos preços e da fome; os senadores tentam convencer o primeiro-ministro Jacques-Edouard Alexis a pedir demissão em 48 horas.

AFP |

"Escrevemos a Alexis aconselhando-o a renunciar nas próximas 48 horas", disse à AFP o senador Andris Riché, vice-presidente do senado haitiano. "Não é um ultimato, mas sim um conselho", explicou, indicando que a maioria dos senadores está de acordo com o pedido.

Devido a um brusco aumento dos preços dos produtos básicos, violentas manifestações estão tomando conta do Haiti há uma semana. O país mais pobre do continente americano recupera-se dificilmente, com a ajuda da ONU, de 20 anos de crises e golpes de estado sangrentos.

Nesta quinta-feira, barricadas e obstáculos eram visíveis nas ruas de Porto Príncipe onde as atividades estão parcialmente paralisadas.

Na quarta-feira, e nos dias anteriores, a capital foi palco de várias cenas violentas e saques: manifestações de protesto contra o custo de vida também foram realizadas em outras cidades.

A carta dos senadores, escrita na noite de quarta-feira, foi revelada após discurso do presidente do Haiti, René Préval, eleito em 2006 pela maioria pobre do país.

"Depois das eleições, formamos um governo que vem trazendo estabilidade. Hoje, podemos refletir sobre como abrir o governo à participação política do Estado em geral. É o momento também de avaliar o trabalho do governo atual", disse Préval.

"Escutamos o presidente, mas ele não nos convenceu", respondeu o senador Hyppolite Mélius que faz parte dos senadores que assinaram a carta pedindo a renuncia de Alexis. Segundo Riché, para escrever a carta, "os senadores se reuniram em Porto Príncipe em um local não divulgado, que não era o parlamento".

O primeiro-ministro "deve deixar o cargo para que terminem as manifestações e os saques que desfavorecem os investimentos", precisou Mélius, ameaçando entrar com um processo de destituição contra Alexis caso ele negue renunciar.

O escritório do primeiro-ministro não emitiu nenhuma resposta ao pedido de renúncia.

Há um mês, Jacques-Edouard Alexis teve que enfrentar uma revolta no parlamento. Sob ameaça de um voto de censura por parte da oposição, insatisfeita com sua administração ante a alta dos preços dos produtos de consumo, o primeiro-ministro recusou as críticas e conseguiu reverter o quadro.

Na quarta-feira, Préval, que havia permanecido em silêncio durante uma semana, também atribuiu a razões externas a crise que o Haiti está enfrentando. "O alto custo de vida afeta tanto os países ricos quanto os mais pobres", disse. Foi preciso subsidiar a produção nacional de arroz e encontrar importadores de produtos alimentícios para tentar baixar os preços.

A ONU, que disponibilizou sete mil soldados no Haiti e é uma das forças de segurança no país que protege, desde terça-feira, o palácio nacional, sede da presidência, faz um apelo internacional de ajuda urgente ao Haiti.

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