Aumenta medo de problemas em máquinas eleitorais nos EUA

María Peña Washington, 30 out (EFE).- As autoridades de vários estados dos EUA tomaram medidas de precaução contra eventuais problemas técnicos nas máquinas de votação na próxima terça-feira que, segundo advertiram hoje vários analistas, minariam o processo democrático do país.

EFE |

Líderes políticos, acadêmicos e até os próprios eleitores se somaram às queixas por possíveis erros nas máquinas que milhões utilizarão em 4 de novembro para escolher o próximo presidente americano, além de decidir outras disputas locais, estatais e federais.

Nos EUA, cada estado decide seu método de votação. Metade dos eleitores usará um sistema de leitura ótica das cédulas, um terço utilizará telas eletrônicas e os demais, sistemas mecânicos, mas cada procedimento tem seus próprios desafios, segundo analistas.

As empresas É&S, Hart InterCivic, Premier/Diebold e Sequoia Voting Systems são as principais provedores das máquinas eletrônicas, e foram objeto de críticas pela confiabilidade das mesmas.

"A possibilidade de que se prive os eleitores de representação, devido à vulnerabilidade nas máquinas, põe em risco mais de 5 milhões de eleitores em Nova Jersey", afirmou hoje Penney Venetis, que lidera um processo contra o estado.

Um relatório encarregado como parte do litígio indicou que cerca de 10 mil máquinas em 18 dos 21 condados de Nova Jersey podem ser manipuladas.

As autoridades eleitorais de Maryland e Virgínia, estados vizinhos a Washington, indicaram hoje que, após o pleito de terça-feira, abandonarão as máquinas de alta tecnologia e retornarão às cédulas de votação.

Para o delegado estadual de Maryland, Timothy Hugo, a maior preocupação é de que "os votos não se contem de forma correta" e que as máquinas eletrônicas não tenham forma de verificar o sufrágio emitido.

A Assembléia Geral de Maryland aprovou em 2007 a eliminação do sistema de máquinas eletrônicas, que custou US$ 65 milhões, e retornar às cédulas impressas nas eleições legislativas de 2010, enquanto a Virgínia proibiu a compra de mais máquinas eleitorais.

Na Virgínia Ocidental, as autoridades realizaram na terça-feira passada um "teste" das máquinas para aumentar a confiança do público. A simulação de voto não encontrou problemas e as autoridades eleitorais confiam em que tudo está pronto para na próxima terça.

Enquanto isso, um juiz federal na Pensilvânia ordenou que as autoridades estaduais imprimam cédulas de votação, para o caso de falharem as máquinas eletrônicas.

A participação eleitoral na Pensilvânia é estimada em até 80%, mas o juiz Harvey Bartle não se preocupa tanto com a inconveniência das filas e demoras, que seriam "inevitáveis", quanto com a possibilidade que haja erros na contagem de votos.

Ao assinalar que o pleito é "inadiável", Bartle ordenou que as autoridades recorram imediatamente às cédulas impressas, se pelo menos 50% das máquinas falharem em cada centro eleitoral.

A Pensilvânia é um dos estados-chave nesta disputa e, segundo as enquetes, tende a se inclinar pelo candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama.

Um estudo da Universidade Princeton destacou na terça-feira passada a vulnerabilidade das máquinas eletrônicas, em particular as fabricadas pela Sequoia Voting Systems, que poderiam ser trocadas em sete minutos por alguém que tenha um conhecimento básico de computação.

A empresa californiana questionou a metodologia e as conclusões dos pesquisadores e condenou o "tom incendiário" do estudo de 158 páginas, ordenado por um juiz federal.

O Centro Brennan para a Justiça, da Universidade de Nova York, advertiu por carta os secretários de Estado em 16 estados onde se utilizam as máquinas "iVotronic" de que estas poderiam ser alteradas.

O centro recomendou que se encoraje o uso de arquivos impressos para verificar o voto.

David Jefferson, cientista de computação do Laboratório Nacional de Lawrence Livermore, na Califórnia, considerou que a melhor maneira de assegurar a transparência dos resultados é pelo uso de cédulas lidas por um scanner ótico e um sistema confiável de auditoria dos votos. EFE mp/jp

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