Aumenta a lista dos prejudicados pelo esquema Madoff

A lista de vítimas da gigantesca fraude do administrador de fundos nova-iorquinos Bernard Madoff continua aumentando nesta terça-feira, principalmente na Europa, e até nomes como o do cineasta americano Steven Spielberg se encontram entre os prejudicados pelo esquema fraudulento.

AFP |

Ao mesmo tempo, as autoridades de regulação financeira americanas estão sendo questionadas por responsáveis financeiros.

A sociedade de investimento do ex-presidente do Nasdaq foi liquidada na noite de segunda-feira. O 'esquema de pirâmide' armado por ele totalizaria 50 bilhões de dólares, segundo um princípio simples: pagar os lucros dos clientes existentes com o capital injetado pelos novos.

Desde a descoberta da fraude semana passada, todos os dias novos estabelecimentos financeiros revelam perdas potenciais às quais estão expostos.

Nesta terça-feira, o banco japonês Aozora anunciou uma possível perda de 101 milhões de euros. Na noite de segunda-feira, o holandês Fortis admitia um risco potencial de um bilhão de euros, entrando para a longa lista das vítimas.

Entre os espanhóis, os afetados são Santander, até agora o mais prejudicado, com 2,33 bilhões de euros de perdas possível, mas também o BBVA (Espanha) e os franceses Natixis e BNP-Paribas. Axa e Groupama, o banco franco-belga Dexia, o Société Générale, o Crédit Agricole também foram atingidos, porém com perdas menores.

O HSBC, terceiro banco mundial, tem uma exposição de um bilhão de dólares, o Royal Bank of Scotland (RBS), de 600 milhões de dólares e os fundos de investimentos Man Group de 360 milhões de dólares.

Na Suíça, vários pequenos bancos privados foram atingidos.

Por enquanto, nenhum estabelecimento bancários americano indicou ter sido prejudicado pelo esquema. Em contrapartida, várias celebridades foram citadas na lista das vítimas.

Fundações como a do Prêmio Nobel Elie Wiesel ou do cineasta Steven Spielberg estão entre os perdedores desta fraude, mas as quantias não foram divulgadas.

Carl e Ruth Shapiro, generosos doadores do Museum of Fine arts de Boston, perderam 40% de sua fortuna.

Os nomes de diversos fundos especulativos foram anunciados.

"Como estabelecimentos sérios podem ter acreditado em rendimentos de mais de 12% sem questionar?", interrogou nesta terça-feira um administrador de fundos francês, pedindo anonimato. "Podemos pensar que a respeitabilidade de Bernard Madoff inspirava uma confiança absoluta, tanto que até a SEC (Securities and Exchange Commission) o contratou", explicou à AFP.

A SEC, órgão regulador dos mercados nos EUA, está sendo acusado por este erro. O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn questionou as autoridades de regulação americanas: "a surpresa não é que tenha ladrões, mas a questão é 'o que a polícia está fazendo?'", disse em entrevista à imprensa segunda-feira em Madri.

As Bolsas, que fecharam no vermelho sob efeito do escândalo, operam em alta nesta terça-feira, se concentrando principalmente na queda esperada para hoje das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano).

lh/lm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG