Atual presidente e governante eleito de Taiwan discutem relações com a China

Taipé, 1 abr (EFE).- O presidente em fim de mandato de Taiwan, Chen Shui-bian, e o governante eleito da ilha, Ma Ying-Jeou, fizeram hoje um debate político sobre a política do país para a China, no qual colocaram em confronto suas visões marcadas por fortes diferenças.

EFE |

Chen, que defende uma política de afirmação nacionalista em relação à China, sem quaisquer tipos de concessões, se negou a reconhecer o "consenso de 1992", que Ma quer transformar na base de negociações com Pequim.

O acordo foi alcançado em 1992, em Hong Kong, antes das históricas negociações entre representantes chineses e taiuaneses em Cingapura, e permitia que cada parte interpretasse a seu modo a definição da China.

"A existência do acordo, de seu conteúdo e de sua evolução são todos incertos", destacou Chen em seu encontro público com Ma.

O presidente eleito afirmou que em 1992, durante as consultas entre China e Taiwan, foi decidido que os dois lados devem reconhecer que existe uma só China, mas também ficou decidido manter diferenças sobre sua explicação para o início das negociações.

"Uma China com duas interpretações não agradava a nenhuma das partes, mas era aceitável, mesmo que de má vontade", destacou Ma.

O próximo presidente de Taiwan afirmou que imediatamente após sua posse iniciará consultas com a China sobre assuntos como transporte direto, turismo e inclusive um acordo de paz, sempre sob as premissas de 1992.

Ma negou que essas negociações signifiquem "vender Taiwan", ou que "vão contra os interesses dos taiuaneses", como garantem os separatistas da ilha.

"Nós dois amamos Taiwan, mas temos duas políticas diferentes em relação à China", disse Ma a Chen.

Os dois dirigentes políticos também falaram sobre o novo panorama interno de Taiwan, marcado pelo controle total do Kuomintang (KMT, nacionalista) tanto no Parlamento quanto na Presidência.

"Respeitaremos a minoria e não nos tornaremos ditadores", declarou Ma.

Ma venceu Frank Hsieh (MCT) nas eleições presidenciais de 22 de março, nas quais recebeu 58% dos votos.

O KMT ficou com mais de dois terços no pleito parlamentar de dezembro de 2007. EFE flp/wr/gs

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