Atuação de forças da ONU agravou crise no Congo, diz relatório

Um relatório interno da Organização das Nações Unidas (ONU) obtido pela BBC apresenta duras críticas à atuação das forças de paz da organização no leste da República Democrática do Congo, afirmando que a operação militar da ONU falhou e tornou ainda pior a crise humana na região.

BBC Brasil |

O documento afirma que o apoio da ONU ao militares congoleses na ofensiva contra rebeldes de etnia hutu das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR) levou a uma série de abusos contra os direitos humanos, a deslocamentos populacionais, além de ter falhado em interromper o tráfico ilegal de minérios que sustenta o conflito.

O relatório está sendo analisado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que avaliará as denúncias contra a atuação daquela que é a maior operação da ONU no mundo, contando com um efetivo de cerca de 25 mil homens.

De acordo com o documento, escrito por um grupo de especialistas comissionados pela ONU, os recursos minerais no leste do país estão sendo saqueados impunemente e uma nova onda de assassinatos e estupros foi registrada na região.

Ofensiva

De acordo com Peter Greste, correspondente da BBC no leste da África, organizações de defesa dos direitos humanos já haviam criticado anteriormente a ofensiva do governo congolês contra rebeldes da FDLR.

Esta ofensiva recebe o apoio das forças das Nações Unidas, que enxergam na medida um meio para combater uma das milícias mais temidas da região. Mesmo assim, de acordo com o relatório, a ofensiva foi incapaz de neutralizar os rebeldes e acabou por agravar a crise humana no país.

De acordo com o relatório, as operações da ONU não impediram que os rebeldes da FDLR conseguissem mais armamentos e recrutassem mais soldados.

Além disso, o documento acusa ex-rebeldes de etnia tutsis que se juntaram ao exército congolês de formarem milícias paralelas e de praticarem assassinatos e estupros, além de controlarem lucrativas áreas de mineração.

De acordo com Thomas Fessy, repórter da BBC na capital congolesa, Kinshasa, o mandato na missão na ONU no país deve ser renovado no final deste ano, e será interessante notar como o Conselho de Segurança levará em conta as denúncias do relatório.

O Conselho de Segurança já votou por duas vezes para que as forças da ONU continuassem a apoiar a ofensiva congolesa, apesar da oposição de organizações de defesa de direitos humanos.

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