Atritos entre EUA e Canadá marcam início da reunião do G8

Julio César Rivas. Ottawa, 29 mar (EFE).- As divergências entre os EUA e o Canadá expressadas hoje pelo fato de Ottawa ter convocado uma reunião de países do Ártico que não contou com a participação de todos rarefizeram o ambiente nas horas que precederam o encontro de ministros de Exteriores do Grupo dos Oito (G8) que começa esta noite no Canadá.

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No entanto, espera-se que durante a reunião do G8, que estará centrada nos assuntos nucleares do Irã, assim como na colaboração antiterrorista, Washington e Ottawa demonstrem mais sintonia.

A secretária do Departamento de Estado dos EUA, Hillary Clinton, viajou para Ottawa pela manhã para participar da reunião dos países árticos organizada pelo Canadá, prévia ao encontro de ministros do G8.

Durante o encontro, Clinton expressou sua preocupação pelas consequências da mudança climática e destacou que o que acontece no Ártico "terá amplas consequências para a Terra e seu clima".

O problema da reunião foram as ausências. O ministro de Assuntos Exteriores canadense, Lawrence Cannon, tinha convidado seus colegas dos EUA, Rússia, Dinamarca e Noruega para a reunião.

Mas outros países com interesses no Ártico, como Suécia, Finlândia e Islândia, assim como representantes de grupos indígenas Inuit, foram excluídos e protestaram por isso.

Estas ausências provocaram críticas de Hillary ao Canadá, que se traduziu em sua negativa de participar junto com Cannon da entrevista coletiva realizada no fim do encontro entre os cinco países.

Na opinião da chefe da diplomacia americana, reuniões como a de Ottawa "deveriam incluir aqueles que têm interesses legítimos na região". O Ártico deveria servir para se trabalhar de forma conjunta e não para fomentar divisões, afirmou.

Por sua parte, o chanceler canadense negou que as ausências fossem um problema porque a reunião estava planejada para os países com costa no Ártico e lembrou que as nações que não estiveram em Ottawa fazem sim parte do Conselho do Ártico que se reúne a cada dois anos.

Destacou que a região tem imensas reservas de matérias-primas (calcula-se que um quinto das reservas mundiais de petróleo estão no Ártico) que progressivamente serão mais fáceis de serem exploradas devido o aquecimento global, por isso os países litorâneos terão que cooperar de forma mais próxima.

O ministro canadense também aproveitou a entrevista coletiva para atacar a União Europeia e os grupos de defesa dos direitos dos animais, opostos à caça comercial de focas e de urso polares realizadas no Canadá.

"Alguns ofereceram um conselho mal informado sobre o Governo de nossos povos, nossas terras e nossas águas, e demonstraram uma falta de sensibilidade aos interesses dos Estados e povos do Ártico", asseverou.

Cannon e Clinton voltarão a se reunir na noite de hoje em um jantar de trabalho com o resto dos países do G8 (Alemanha, França, Rússia, Reino Unido, Itália e Japão), no qual o prato principal será o endurecimento da pressão sobre o Irã para que o país pare com as suas atividades de enriquecimento de urânio.

Neste tema, Ottawa e Washington parecem estar em mais sintonia. O Canadá disse desde em um primeiro momento que o G8 deveria concordar com as sanções econômicas contra o regime de Teerã, perante a potencial ameaça que constitui o programa nuclear iraniano.

A aprovação das sanções, que os ministros do G8 poderiam definir nas próximas horas, necessita do consentimento da Rússia e China, dois países próximos ao Irã e que dispõem de direito a veto no Conselho de Segurança.

Moscou deu a entender que estaria disposta a aprovar uma nova rodada de sanções, mais duras, contra o Irã.

Precisamente os atentados de hoje em Moscou, onde pelo menos 38 pessoas morreram quando dois suicidas explodiram bombas no metrô da capital russa, provocaram que, além do Irã, o peso da reunião do G8 gire para os temas de segurança e antiterrorismo.

Os Estados Unidos já indicaram que os ministros devem aproveitar este encontro para discutir o fortalecimento da coordenação e cooperação antiterrorista internacional.

Está previsto que a reunião termine ao meio-dia de terça-feira, depois que os ministros do G8 dediquem a manhã a discussões sobre a proliferação de armas nucleares, Iêmen e Afeganistão, entre outros temas. EFE jcr/pb

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