Atrasos na reforma de Obama põem dúvidas sobre viabilidade

Washington, 24 jul (EFE).- O atraso na votação do projeto de lei da reforma na saúde americana gerou dúvidas sobre se será possível uma mudança já tentada por vários Governos, apesar de a Casa Branca ter reiterado hoje que acontecerá ainda este ano.

EFE |

Segundo o chefe de gabinete da Casa Branca, Rham Emanuel, o fato de o projeto não ser votado em agosto, como tinha sido pedido pelo presidente Barack Obama, não representa o fim da reforma.

"Achamos que teremos o projeto de lei no final do ano para que o presidente assine uma reforma sanitária que controle os custos, amplie a cobertura e dê opções", disse Emanuel à emissora de rádio pública "NPR".

Emanuel reconheceu que ainda há assuntos pendentes como a questão do financiamento, mas disse acreditar que estão acontecendo progressos.

No momento, o Congresso estuda três minutas diferentes de projetos de lei para levar adiante a reforma, cujo objetivo é dar uma cobertura médica acessível e de qualidade aos mais de 45 milhões de americanos que não têm assistência.

Segundo o previsto, essas minutas devem ser votadas e harmonizadas antes de chegar a um projeto de lei que o Congresso aprove, para que então Obama assine.

No entanto, o líder democrata no Senado, Harry Reid, encarregado de harmonizar os textos, anunciou na quinta-feira que a votação será adiada até a volta das férias na Casa, que começam em agosto.

Reid explicou que se trata de conseguir um projeto definitivo que conte com a aprovação tanto de democratas como de republicanos, mas o medo é que quanto mais tempo demore a passar para o presidente, possa perder o apoio dos cidadãos.

Segundo mostram algumas pesquisas, a aceitação de Obama está em 55% e apenas 44% dos americanos apoiam os esforços do presidente a favor da reforma, enquanto 50% estão contra.

O financiamento é um dos empecilhos para a reforma, já que o custo deve chegar a US$ 1 trilhão, o que segundo seus detratores poderia disparar o já alto déficit fiscal.

Uma das propostas para o financiamento fala de um aumento dos impostos aos dois milhões de americanos considerados mais ricos para custear parte da despesa, o que provocou a ira dos republicanos.

Da mesma forma que aconteceu com a reforma tentada levar à frente pelo democrata Bill Clinton (1993-2001), entram em jogo outros fatores como o temor dos americanos a um "intervencionismo" na saúde e a oposição de certos grupos.

Obama assumiu o atraso na votação como parte do processo e assegurou que o importante "é que o povo siga trabalhando" para levar adiante a reforma, que deve acontecer "assim que possível", disse na quinta-feira em reunião com eleitores.

Segundo o presidente da Pharmaceutical Care Management Association, Mark Merritt, "as pessoas ouviram falar das aspirações de uma reforma de saúde, mas não de como vai ser essa mudança e quem vai pagar por ela".

Em declarações a um jornal local, Merritt assegurou que "é muito difícil conseguir o apoio público a uma política que não existe ainda".

O presidente Obama continua com seus esforços para que a reforma siga adiante e hoje mesmo se reuniu com Reid e com o senador democrata Max Baucus, presidente do Comitê de Finanças do Senado, para discutir o caso. EFE elv/rr

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