Atrasos marcam primeira votação em Angola após 16 anos

Por Henrique Almeida LUANDA (Reuters) - Pela primeira vez em 16 anos, Angola realiza nesta sexta-feira uma eleição parlamentar, que deve ampliar a hegemonia política de três décadas do partido MPLA na ex-colônia portuguesa, que prospera nos últimos anos graças ao petróleo.

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Atrasos e longas filas marcaram a votação na capital Luanda desde a abertura das urnas, às 7h (3h em Brasília). Eleitores e observadores se queixavam da desorganização e da demora. Várias horas depois do previsto, muitas seções permaneciam fechadas.

'Isto está uma bagunça', disse Isaias Samakuva, dirigente da Unita (União Nacional pela Independência Total de Angola, ex-grupo rebelde direitista, hoje o maior partido da oposição).

Samakuva acusou também o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola, ex-marxista) de ter tido uma vantagem injusta em termos de acesso a dinheiro e mídia durante a campanha.

Angola espera que este pleito sirva de exemplo à África, onde vários países tiveram recentemente votações turbulentas, e comprove a recuperação do país depois de cerca de três décadas de guerra civil, até 2002. Angola se tornou o segundo maior produtor de petróleo da África, mas a maior parte da sua população ainda vive na pobreza.

'Este é um dia de esperança', disse, fazendo graça com seu nome, a enfermeira aposentada Esperança da Glória, de 65 anos, numa fila de votação perto do palácio presidencial em Luanda, reduto do MPLA.

A última eleição em Angola havia ocorrido em 1992, numa época de pausa na guerra civil, que foi logo depois retomada.

Os resultados da atual votação devem levar pelo menos uma semana -- ou talvez mais, caso uma grande parcela dos 8,3 milhões de eleitores não consiga votar na sexta-feira.

Luisa Morgantini, chefe da missão de observação eleitoral da União Européia em Angola, disse que é possível uma prorrogação da eleição devido aos problemas, que segundo ela são mais visíveis na capital.

'Em Luanda está muito problemático, mas no interior as coisas estão melhores', afirmou.

Um porta-voz da comissão eleitoral disse a uma rádio que houve problemas 'logísticos' em algumas áreas, e que as seções permanecerão abertas até que todos na fila consigam votar.

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