Atraso no Zimbábue é estranho, diz observador brasileiro

As eleições gerais no Zimbábue ocorreram de modo tranqüilo no dia da votação, no último sábado. Tudo transcorreu tão bem que os partidos de oposição esperavam que o processo de apuração demorasse apenas cinco ou seis horas para ser concretizado. Quatro dias depois, ainda não há resultados oficiais sobre a sucessão do presidente Robert Mugabe, que governa o país há 28 anos. O deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), que foi ao Zimbábue como observador internacional, disse, em entrevista ao Último Segundo, que esta lentidão lhe provocou estranheza.

Luiz Raatz, repórter Último Segundo |

Conversei com os partidos de oposição e me garantiram que a apuração, mesmo manual, duraria quatro ou cinco horas, disse Pannunzio nesta quarta-feira. Quando deixei Harare no domingo de manhã ainda não havia resultados, o que até é normal. Mas quatro dias depois não ter nada é estranho.

Segundo o observador, a demora de apresentar o resultado da eleição é preocupante. Não há como ter um resultado para a Câmara e não ter para presidente, que é uma apuração mais simples, argumentou.

No sábado, o deputado percorreu oito zonas eleitorais. Desde a manhã, várias filas se formaram nos locais de votação. Nas ruas não houve coerção que qualquer observador pudesse ter testemunhado. Dava para perceber que os zimbabuanos queriam mudança, disse Pannunzio.  O deputado, que é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, representou a Casa a convite da ONG Lawyers for Human Rights. 

Oposição declara vitória

Com os resultados das eleições parlamentares divulgados hoje, o partido de Mugabe  perdeu a maioria legislativa . A oposição obteve 105 das 210 cadeiras de deputados, e um candidato independente foi reeleito, segundo os resultados oficiais de 199 circunscrições.

Ainda sem resultados oficiais sobre a eleição presidencial, a oposição proclamou vitória do seu candidato, Morgan Tsvangirai, sobre o presidente Robert Mugabe, no poder há 28 anos, desde a independência do país. Baseados em atas eleitorais assinadas após a apuração de cada centro de votação, os oposicionistas alegam ter 50,3% dos votos.

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