Cerca de 300 manifestantes se reuniram neste sábado no centro de Lisboa para protestar contra o projeto de diretiva européia que vai aumentar as barreiras aos imigrantes e estimular a expulsão dos ilegais da União Européia. O projeto será discutido e votado entre os dias 16 e 18 de junho no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Em frente ao monumento à tolerância, no centro de Lisboa, os manifestantes gritavam palavras de ordem como: "Ninguém é ilegal", "Não à Europa fortaleza" e "Contra a diretiva da vergonha".

Cerca de 30 a 40 manifestantes encenaram um "encarceramento", se colocando atrás de uma cerca de arame farpado com várias bandeiras, incluindo uma do Brasil.

"Esta manifestação é uma ação simbólica das associações. Achamos importante aderir à campanha européia contra a diretiva que surgiu do pacto Sarkozy, que harmoniza as expulsões de imigrantes não-documentados, não permite a legalização em massa dos imigrantes e estimula a política de militarização das fronteiras contra os imigrantes que procuram a Europa para ter melhores condições de vida", afirma Timóteo Mcedo, da ONG Solidariedade Imigrante.

Apesar da presença de 30 associações e ONGs, o ato não teve grande público.

"Foi convocada muito em cima da hora. Achamos que é importante participar desse movimento, que vai ter manifestações em Paris, Londres, Estrasburgo e outras cidades européias, além de uma petição na Internet", conta Gustavo Behr, presidente da associação de imigrantes Casa do Brasil de Lisboa.

Gustavo avalia que hoje a Europa vive uma mudança em relação aos imigrantes desde a eleição do presidente Nicolas Sarkozy, na França, e do primeiro ministro Silvio Berlusconi, na Itália.

"A resposta da Europa à imigração tende a ser a expulsão e o afastamento das pessoas e não a integração."
Ele acredita que em Portugal, os que mais seriam atingidos pelo endurecimento das barreiras seriam os brasileiros.

Na estimativa de Gustavo, dos cerca de 40 mil pedidos de legalização de imigrantes que estão pendentes no país, 70% seriam de brasileiros. Desse total, só 7 mil obtiveram resposta positiva.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.