Atlantis aterriza na Califórnia

O ônibus espacial Atlantis aterrizou sem problemas neste domingo na Base Edwards da Força Aérea (Califórnia, oeste), após uma bem-sucedida missão para reparar o telescópio espacial Hubble.

AFP |

Depois de uma viagem de 12 dias, 21 horas e 37 minutos, o ônibus espacial com seus sete astronautas aterrizou na base aérea situada 160 km a nordeste de Los Angeles.

A Nasa desistiu antes de proceder a aterrissagem da nave na base de lançamento de Cabo Cañaveral (Flórida, sudeste), onde o tempo permanecia ameaçador, apesar do retorno do sol após uma semana de dias nublados e chuvosos.

Por essa razão, as aterrissagens previstas para sexta-feira e sábado em Cabo Cañaveral haviam sido canceladas, obrigando a tripulação a realizar um total de 197 voltas ao redor da Terra.

O ônibus espacial conseguiria permanecer no espaço no máximo até segunda-feira.

A missão Atlantis, iniciada em 11 de maio, cumpriu com êxito a tarefa de manutenção do telescópio Hubble, que, após 19 anos no espaço, revolucionou o conhecimento acerca das origens do Universo graças à observação das galáxias mais remotas.

As camadas de proteção térmica do ônibus espacial, projetadas para suportar temperaturas de 1.500 graus Celsius ao reingressar na atmosfera são, no entanto, vulneráveis à chuva.

A Atlantis deve participar ainda de duas missões antes do final do programa de ônibus espaciais no ano que vem.

A Nasa esperou até o último momento para evitar uma aterrissagem na base Edwards, pois o transporte do Atlantis para Cabo Cañaveral em um Boeing 747 custará cerca de dois milhões de dólares.

Ao longo de cinco caminhadas espaciais, a tripulação reparou e modernizou o Hubble, na última missão da Nasa no observatório espacial, que teve como objetivo estender sua vida em pelo menos cinco anos.

A tripulação enfrentou vários obstáculos para reparar o telescópio no espaço: parafusos presos, uma ferramenta que ficou sem bateria em um momento crucial e problemas com os trajes espaciais.

Os astronautas equiparam o telescópio com baterias novas, com um novo sistema de orientação FGS (Fine Guidance System) e com placas de aço inoxidável para proteger o exterior da aeronave das radiações solares.

Também substituíram os giroscópios, instalaram uma câmera nova -mais moderna que a Wide Field Camera-3- desenhada para observar o universo de maneira mais aprofundada, e realizaram uma reparação cirúrgica do espectrógrafo que identifica os buracos negros.

O esforço valeu a pena; o Hubble "é provavelmente o instrumento científico mais importante de todos os tempos", havia dito enquanto estava no espaço o astronauta e astrônomo John Grunsfeld, que explicou que "os astrônomos usam o Hubble para buscar respostas para questões fundamentais: de onde viemos, para onde vamos e qual é a história do Universo".

O telescópio voltará a operar dentro de três semanas.

A missão não esteve isenta de riscos. A tripulação escapou dos destroços de satélites artificiais e de meteoritos que são mais frequentes na altitude do Hubble (560 km) do que nos voos habituais dos ônibus espaciais.

Esta foi a 126ª missão de uma nave espacial desde 1981. A NASA prevê mais oito voos antes de encerrar este programa em 2010. Além do Atlantis, a frota da agência espacial conta com as naves Endeavour e Discovery.

bar/dm

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