Ativistas usarão nomes de detidos em Guantánamo em julgamento

Washington, 22 mai (EFE).- Dezenas de ativistas dos Estados Unidos que foram detidos durante um protesto em janeiro último irão a julgamento em Washington na próxima terça-feira, mas o farão assumindo o nome de alguns estrangeiros detidos em Guantánamo, informou hoje o grupo Testemunha contra a Tortura.

EFE |

Trata-se de um ato simbólico para denunciar a tortura dos prisioneiros na base naval dos EUA em Guantánamo (Cuba) e, sobretudo, a privação do direito ao "habeas corpus" em determinados tribunais americanos.

Em 11 de janeiro último, 35 ativistas foram detidos após um ruidoso protesto organizado pela Testemunha contra a Tortura, no sexto aniversário da abertura do centro de detenções de Guantánamo.

A maioria dos ativistas - acusados de protestar ilegalmente em frente à sede do Supremo americano - não portava cédula de identidade e, em um gesto simbólico, disseram que seus nomes eram o de vários dos estrangeiros detidos em Guantánamo.

Caso sejam declarados culpados, a maioria dos ativistas terá de lidar com uma pena máxima de 60 dias de prisão. Os que foram detidos após tentarem abrir dentro do Tribunal um cartaz gigante exigindo o fechamento de Guantánamo receberiam 60 dias adicionais.

Durante o julgamento da próxima terça-feira perante um tribunal federal em Washington, os ativistas, entre eles a porta-voz do grupo, Frida Berrigan, voltarão a protestar sobre a situação em Guantánamo.

"Nossa idéia foi chamar a atenção para o fato de os prisioneiros em Guantánamo terem tido negados durante anos acessos aos tribunais americanos", disse Berrigan à Agência Efe.

"Agora esperamos utilizar o tribunal como plataforma para denunciar a situação desses homens em Guantánamo, suas histórias de vida e suas experiências no local durante os últimos seis anos, porque como americanos queremos que nosso país respeite a Constituição e os direitos ali consagrados", enfatizou a porta-voz.

O que torna diferente esse processo judicial é, precisamente, o fato de os acusados se assumirem como donos de nomes de detidos em Guantánamo, em um ato de protesto sem precedentes.

Assim, Christine Gaunt, avó de 51 anos e granjeira de Iowa, dará seu nome de batismo e também o de Abdul Razak, um afegão trasladado a Guantánamo em 2003 e que morreu de câncer quatro anos mais tarde "sem nunca ter tido o direito de impugnar sua detenção", completou Berrigan. EFE mp/fr

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