Ativistas tentam levar jovens japoneses às urnas no domingo

TÓQUIO - A juventude japonesa enfrenta diversas incertezas às vésperas da eleição geral no país neste domingo, como a redução das perspectivas de emprego e o envelhecimento populacional, cujo ônus deve recair sobre seus ombros.

Redação com agências internacionais |

Mas essas preocupações em geral não encontram ressonância. Militantes estudantis temem que os políticos japoneses pouco façam para resolver os problemas dos jovens, devido à apatia dos eleitores nessa faixa etária.

Eleições no Japão

"As políticas no Japão atualmente estão muito desequilibradas em favor dos interesses dos velhos, mas isso é porque eles votam mais", disse o estudante Kensuke Harada, de 23 anos, fundador do Ivote, grupo que tenta ampliar o comparecimento juvenil às urnas no próximo domingo.

"Se os jovens votassem mais, os políticos iriam notar o que temos a dizer", disse ele em Shibuya, bairro de compras e diversão em Tóquio, muito frequentado por jovens.

O Ivote (junção das palavras "eu voto", em inglês) tem promovido festas onde pessoas na faixa dos 20 a 30 anos dividem cervejas e petiscos com políticos do governo e da oposição.

O grupo, apartidário, também pretende enviar mensagens de texto a 1.100 jovens no dia da eleição, para lembrá-los de irem às urnas.

Pesquisa publicada na semana passada pelo jornal Mainichi mostrou que 51% dos japoneses de 20 a 30 anos pretende votar. Na última eleição parlamentar, em 2005, foram 46%.

Mas a cifra ainda é baixa em comparação a outros grupos etários. A mesma pesquisa mostrou que 84% dos sexagenários pretendem votar. O comparecimento total do eleitorado está previsto em 74%.

Desilusão

Muitos jovens se sentem desiludidos com a política e duvidam que o Partido Democrático, da oposição, possa se sair melhor que o conservador Partido Liberal Democrático, governista, na solução de problemas como o desemprego juvenil, agravado pela recessão.

A taxa de desemprego para jovens de 15 a 24 anos ficou em junho em 8,7%. A taxa geral é de 5,2%, levando em conta ajustes relativos à sazonalidade.

"Há um sentimento geral de incerteza a respeito da sociedade, de desconfiança em relação à política e preocupação em conseguir um emprego", disse Ai Yamaguchi, ativista da entidade estudantil apartidária Ring, que tenta envolver mais jovens no debate político. "Mas os jovens mantêm esses sentimentos para si, e não pensam em como a política pode melhorar as coisas", completou.

O clima político no Japão em nada lembra o entusiasmo juvenil que marcou a campanha eleitoral do ano passado nos EUA, que levou Barack Obama ao poder.

"Não há um líder carismático na próxima eleição, ninguém como Obama, a quem os jovens gostariam de manifestar apoio", disse Takehiko Nishino, também ativista do Ring. "Mas esperar que a política japonesa mude pode demorar demais, e enquanto isso os jovens precisam agir".

As pesquisas preveem uma derrota do primeiro-ministro Taro Aso, o que encerraria meia década de domínio político quase ininterrupto do seu PLD.

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